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O presidente da ANF acusa o Ministério da Saúde de falta de controlo sobre o circuito do medicamento, o que acaba por permitir fraudes.
O presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro, diz que a situação de fraude nas farmácias detectada pelo Ministério da Saúde, resulta da "permissibilidade do próprio sistema" que "tem falta de rigor". "Se perguntar ao Ministério da Saúde quantos beneficiários existem no SNS por distrito ou quem é que tem direito a comparticipações eles não sabem responder", exemplifica João Cordeiro.
Em declarações ao Económico, João Cordeiro lembrou que a ANF entrega todos os anos ao Ministério da Saúde "informação em suporte informático sobre o volume de vendas das farmácias e dos medicamentos" que permitem detectar situações fraudulentas. "Será que isso serve para alguma coisa?", questiona Cordeiro.
A Polícia Judiciária está a investigar várias farmácias na região de Lisboa por fraude nas comparticipações de medicamentos. De acordo com a SIC, já foram detidas oito pessoas. A denúncia partiu do próprio Ministério da Saúde que identificou, através da Central de Conferência de Facturas, "diversas irregularidades no circuito do medicamento".
O presidente da ANF não acredita que a obrigatoriedade da prescrição electrónica, que o Governo agendou para Março, possa vir a resolver o problema. "A prescrição electrónica é um argumento político porque o que o Ministério da Saúde entende por prescrição electrónica é passar a imprimir receitas através do computador, não é a desmaterialização da receita", aponta Cordeiro.
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