A primeira comunicação do ministro de Estado e das Finanças ao País não desiludiu, mas soube a pouco. Vitor Gaspar confirmou as más notícias - um imposto extraordinário a incidir sobre o subsídio de Natal - e adiou o anúncio das boas - as medidas concretas de corte de despesa e de emagrecimento do Estado, que libertem a economia, as empresas e os cidadãos.
Vítor Gaspar falou ao País durante 92 minutos, exactamente o tempo anunciado quando iniciou a conferência de imprensa mais esperada das últimas semanas, ou seja, cumpriu... Sabia-se, os portugueses ficariam a conhecer os contornos do novo imposto, mas esperavam, também o anúncio de cortes de despesa pública, concretos e objectivos, que permitissem perceber desde já que este esforço, mais um, não será em vão. Vão ter de continuar à espera.
Na prática, Gaspar pediu um voto de confiança. O ministro pediu aos portugueses para acreditarem em si, identificando os prazos que já anunciou, de 28 de Julho até 15 de Outubro, para dar a conhecer o que quer fazer do lado da despesa. Dito de outra forma, Gaspar já pôs uma data à avaliação da sua própria credibilidade, pelo falhanço dos seus antecessores, e do próprio Governo.
Poder não lhe falta para cumprir o que prometeu, é ministro de Estado e o número dois do Governo, à frente de Paulo Portas, competência técnica e experiência também não, por isso merece, no mínimo, o benefício da dúvida.
O novo imposto, diz Vítor Gaspar, é extraordinária, universal e respeita a equidade social na asuteridade. Talvez, não e não.
Vamos por partes, o novo imposto é extraordinário, como eram os anteriores, os lançados pelos ministros das Finanças anteriores que, como Gaspar, prometeram ser o último e necessário para pôr as contas em ordem. Não tenho razões para duvidar da bondade e da seriedade do ministro quando assume tal compromisso, mas já é legítimo questionar, por exemplo, as condições externas que, nos próximos meses, vão condicionar - e limitar ? - a assumpção de promessas e compromissos. Nem tudo dependerá de nós, mesmo que façamos tudo bem.
O novo imposto não é universal, nem respeita a equidade social, mas não poderia ser de outra forma. Por estranho que pareça, ainda bem. Vítor Gaspar não o pode dizer, Pedro Passos Coelho também não, mas é óbvio que o novo imposto não poderia cair sobre a poupança, a pouca que existe, sobre os bancos, centrais para o financiamento da economia, e sobre as empresas que, espera-se, sejam, e bem, o motor da recuperação da economia. Sobram os contribuintes singulares, os trabalhadores e (alguns) pensionistas.
O Governo teve o cuidade de ajustar a aplicação do novo imposto às tabelas de IRS que hoje regulam a tributação dos cidadãos e, por isso, garantiu uma progressividade na sua cobrança. Cerca de 1,4 milhões de pensionistas não serão abrangidos pelo novo imposto, e cerca de 52% dos salários também não. Paga a classe média, claro.
Mas, faria sentido apertar ainda mais as dificuldades da banca, já tão limitada no acesso a financiamento e que resulta, como se vê, no aumento dos ‘spreads' e no estrangulamento da economia? E faria sentido criar linhas de liquidez e de capitalização e, depois, novos impostos? E faria sentido discutir a redução da Taxa Social Única que recai sobe os descontos das empresas para a Segurança Social, por um lado, e aplicar um novo imposto, por outro? Não.
A política económica e as diferentes políticas públicas devem ser orientadas, precisamente, para incentivar a criação de emprego, as exportações, a concorrência e não para as dificultar.
As privatizações anunciadas ontem por Vítor Gaspar são, também elas, um instrumento de promoção da concorrência. O Governo vai avançar com um programa ambicioso de venda de empresas públicas - provavelmente, de forma mais rápida do que o que está acordado com a ‘troika' - porque precisa de dinheiro, porque Portugal precisa de vender os seus activos, os anéis, para pagar as suas dívidas. É o que sucede a uma família que gasta demais. Já agora, Gaspar deve aproveitar, também, para fazer política económica por causa de uma necessidade financeira.
As privatizações, e o fim dos direitos especiais, como as ‘golden shares', em empresas (já) privadas, são uma oportunidade para valorizar essas empresas, abrir o mercado e promover a concorrência. E, claro, uma fonte de financiamento externo da nossa economia porque, como é óbvio, dificilmente haverá empresários portugueses com arcaboiço financeiro para tentar comprar qualquer uma delas. Os CTT, a TAP, a REN, para não falar da EDP ou mesmo da PT. O mundo empresarial, suspeito, vai mudar muito nos próximos 24 meses, passaremos a falar mais português do Brasil e de Angola.
O primeiro teste a Vitor Gaspar - e a este Governo - está marcado para 15 de Oututro, ou dias antes, quando apresentar o Orçamento do Estado para 2012.
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Tem-se falado muito das privatizações,e reconheço que é verdade que o Estado não tem vocação para gerir empresas de transporte e outras.Muito se tem falado da privatização das Águas de Portugal,mas estranhamente não se fala nos Metros,na Carris ,nos STCP,etc...,que são um buraco financeiro permanente.É evidente que toda a gente entenderá este paradoxo,se souber que as Águas de Portugal,são uma empresa lucrativa.Também se entende que tem que se pagar os favores a quem sustentou a Campanha eleitoral finda.E é tempo disso.Mas não se compreende como aqueles que querem parecer diferentes,dos seus antecessores,cedem à gula e vão privatizar uma empresa estratégica para o País.Além do mais a água é um bem público,que é de todos.
Ou seja os Portugueses vão mais uma vez,ser espoliados,para não dizer roubados,de uma coisa que é sua,Isto sem nada terem contribuído para as pseudo-causas que vão originar tal facto.Os Portugueses para este Governo,são apenas vistos como contribuintes e nunca como cidadãos.Pior que isto,só em 1580.
FISCALIZAÇÃO E RIGOR, SEM MEDOS, TODOS TÊM MEDO DOS BANCOS, ATÉ O SENHOR ACIMA, NÃO QUEREMOS É OUTRO BPN. TAXAR PEQUENAS EMPRESAS E PEQUENOS TRABALHADORES É FACIL, QUEM NÃO CONSEGUE DAR UNS BONS PONTAPÉS A QUEM ESTÁ NO CHÃO. SOMOS UM BANDO DE COBERDES.
NÓS PRECISAMOS DOS BANCOS, MAS OS SENHORES DOS BANCOS TAMBÉM PRECISAM DE NÓS, SE NÃO EXISTIRMOS ELES TAMBÉM NÃO EXISTEM, TERIAM QUE PROCURAR OUTRA FORMA DE VIDA.
SÓ HÁ LARANJAS QUE PROOMETEM MAIS DESEMPREGO
Afinal Portugal é um país rico! Tão rico que o povo português anda à anos a aceitar as mesmas medidas para os mesmos problemas económicos! E ainda aplaudem e aceitam e compreendem. São medidas, que não estão a resolver nada, mas que são sempre inevitáveis, as únicas capazes de dar a volta à situação e são sempre aos mesmos que se vai buscar o dinheiro! E sempre os mesmos a ser protegidos - a BANCA! E sempre com o mesmo pretexto: de que são o motor da economia e sem eles ninguém vive! Talvez não vivessemos hipotecados, isso sim!