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Conheça os mercados que querem contratar portugueses

Brasil, África e países asiáticos procuram quadros portugueses. Engenharia e marketing são profissões muito solicitadas.

Conheça os mercados que querem contratar portugueses

Países como Angola, Moçambique, Brasil e China estão interessados no perfil do trabalhador português, que garante qualidade técnica, capacidade de adaptação e bom domínio das línguas. Quem o diz é Álvaro Fernández, director-geral da Michael Page em Portugal, empresa de recrutamento de quadros médios e superiores. Em entrevista ao Diário Económico, Álvaro Fernandez diz que Angola é um dos países que mais procura quadros técnicos portugueses especializados e que a Alemanha também está a importar profissionais portugueses.

"Houve uma mudança de uma emigração de pessoas com menos qualificações para uma exportação de pessoas muito qualificadas. E Portugal está a ser um dos países que mais está a exportar para Brasil, Angola e Moçambique", diz o responsável, que acrescenta que também há procura por parte de países asiáticos, como a China e Macau, e do Médio Oriente. "Temos vários clientes que querem atrair profissionais a nível mundial, e de todos os países onde procuram quadros estão sobretudo interessados no perfil português, que tem não só a qualificação mas também uma boa capacidade de adaptação a outros países e o conhecimento das línguas", explica o responsável. Para Álvaro Fernandez, Portugal surge hoje como um dos principais exportadores de talento e conhecimento ao mais alto nível, enviando para o estrangeiro um vasto leque de profissionais, como directores-gerais, directores de obra e topógrafos, entre outros.

Quanto aos sectores onde há mais procura, Álvaro Fernández aponta a área comercial e de marketing, com destaque para a vertente ‘online', e as áreas técnicas, como a engenharia. Em tempos de crise, o director-geral da Michael Page explica que as empresas procuram novas vias para crescer e aumentar a facturação, dando maior importância às estratégias nos canais ‘online', que permitem chegar a possíveis consumidores em qualquer lugar do mundo, de uma forma mais rápida e com menos custos. "Verificamos que há uma grande procura de pessoas para realizar funções comerciais relacionadas com a exportação. É um dos movimentos mais óbvios até porque o mercado interno é muito limitado e o consumo está a descer, nomeadamente devido à subida dos impostos", nota Álvaro Fernández.

Neste cenário, as empresas de grande facturação surgem dispostas a pagar salários elevados por profissionais que estabeleçam uma estratégia que contribua para aumentar a facturação através de uma página ‘online'. "Temos verificado que existe uma procura importante de profissionais para esses canais ‘online' em todo o tipo de empresas internacionais, que estão em Portugal, nomeadamente de telecomunicações, cada vez mais dispostas a pagar bons salários a pessoas que melhorem as suas estratégias através da Internet, refere Álvaro Fernández. Também as empresas de grande consumo estão a contratar em Portugal pessoas para desenvolver a sua estratégia de ‘e-commerce'. "Essas empresas estão dispostas a fazer investimentos fortes nesta área porque sabem que este canal é um dos canais do futuro", indica o responsável da consultora, que divulgou no mês passado o ‘Guia das Novas Funções 2012'.

Nesse estudo, a Michael Page apresentou 15 novas ‘profissões', com salários anuais que oscilam entre os 30 mil e os 120 mil euros, consoante os sectores e a experiência profissional. "Os salários que aparecem no estudo são elevados porque estamos a falar de empresas multinacionais e dos canais mais estratégicos para o seu futuro nos próximos anos, que serão muito difíceis ", disse o director-geral.

Ao nível das áreas técnicas com maior procura, Álvaro Fernández destaca as engenharias e o sector da construção. "Temos engenheiros civis muito fortes, que falam não só o português como também o inglês e, muitas das vezes, uma terceira língua, convertendo-se em profissionais com um bom ‘background' de conhecimentos técnicos e uma boa capacidade de adaptação", destaca o responsável. Num momento em que o desemprego já atinge 14% da população portuguesa, a Michael Page assume que os altos quadros portugueses querem sair do país para se desenvolverem profissionalmente e um dia mais tarde regressarem a Portugal. "Cada vez recebemos mais pessoas que nos dizem directamente que querem passar os próximos anos num país em crescimento, onde possam aprender coisas novas para depois regressar no futuro a Portugal", indica o director-geral da empresa de recrutamento, para quem "é uma pena" que profissionais qualificados fiquem em Portugal desempregados, e deixem de aproveitar oportunidades no estrangeiro. De resto, segundo Álvaro Fernández, a experiência internacional é um dos atributos mais valorizados pelas empresas na hora de contratar.

Procuram-se profissionais para áreas comerciais e técnicas
A Michael Page, empresa de recrutamento de quadros médios e superiores, diz que continua a haver procura de profissionais dentro do país, até porque há empresas que estão a conseguir "surfar" a crise, como as do sector de luxo. "Há negócios anti-cíclicos que não sofrem com a crise e que têm mais procura nestes períodos do que nunca, como as empresas que se dedicam à cobrança de dívidas ou as firmas focadas em produtos ‘low-cost', ou então empresas de produtos de luxo, que continuam a crescer ", explica o director-geral da Michael Page. Contudo, no contexto geral, as áreas comerciais, nomeadamente as relativas à gestão de canais ‘online', e às áreas técnicas, como as engenharias, são aquelas onde existe maior procura de profissionais actualmente.

"Medidas que se estão a tomar em matéria de emprego são positivas"
O director-geral da Michael Page em Portugal elogia a "coragem" do governo de Passos Coelho em matéria laboral e as medidas para promover a colocação de desempregados. "Hoje, finalmente, existe a coragem de tomar decisões complicadas", afirmou Álvaro Fernández em entrevista ao Diário Económico. Para o responsável, é importante que as empresas de recrutamento se convertam em dinamizadores do mercado de trabalho, e, nesse sentido, enaltece o facto de o Governo querer incentivar este tipo de empresas a arranjar colocação para desempregados, elogiando também os incentivos atribuídos às que façam contratações. "As medidas que se estão a tomar são positivas e terão resultados que provavelmente não se verão no curto-prazo, mas que são essenciais no longo-prazo", sustentou o responsável, para quem a actual crise deve servir de oportunidade para lançar as bases de um crescimento económico sustentável em Portugal.

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