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Reforma

Conheça os cortes que as novas pensões vão sofrer em 2011

Cristina Oliveira da Silva  
02/12/10 13:35

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A alternativa aos cortes de 3,14% nas novas reformas do próximo ano passará por trabalhar mais tempo.

Quem trabalha no sector privado e se quiser reformar no próximo ano pode contar com um corte de 3,14% na pensão, a não ser que decida prolongar a vida activa além dos 65 anos. Em 2011, o preço a pagar pelo aumento da esperança média de vida exigirá entre quatro a dez meses de trabalho adicional.

A quebra nas novas pensões em 2011 é o reflexo do factor de sustentabilidade, que mede a relação entre a esperança de vida aos 65 anos em 2006 e no ano anterior ao pedido da pensão. A partir dos dados provisórios do INE é possível prever que o factor de sustentabilidade a aplicar às novas pensões em 2011 será de 0,9686, o que corresponde a uma correcção acumulada de 3,14%. Olhando para o valor médio das novas pensões desde a reforma da Segurança Social (2007) - que rondam os 452 euros - isto significa um corte de 14,2 euros por mês.

A quebra é significativamente mais alta do que aquilo que se tinha verificado até agora - e a tendência é para continuar a aumentar. É que em 2008, a redução acumulada era de 0,56%, subindo para 1,32% em 2009 e para 1,65% em 2010.

Qual a forma de contornar o corte? Descontar mais para regimes complementares ou trabalhar mais. Assim, quem no próximo ano completar 65 anos e já conte com uma carreira contributiva completa (40 ou mais anos) deve trabalhar mais quatro meses. O maior esforço aplica-se a carreiras entre 15 e 24 anos, que terão de trabalhar mais dez meses (ver tabela). Ou seja, o dobro do exigido aos contribuintes que este ano pediram reforma. Na função pública, alguns novos aposentados sofrem um corte igual, ainda que a idade legal de reforma seja de 63 anos em 2011 e a bonificação só se aplique, com especificidades, a partir dos 36 anos de carreira.

Corte pode ultrapassar 5% já em 2015

Tudo indica que o esforço vai aumentar ainda mais. De acordo com as projecções do professor Pedro Corte Real, em 2012 a redução nas novas pensões será de 3,66%, o que implica entre 4 a 12 meses de trabalho extra para contornar a quebra. Em 2015, chegará a 5,19% e em 2040 a 16,28%, exigindo aqui entre 17 e 50 meses de trabalho (mais de 4 anos). "É preciso perceber se o próprio mercado de trabalho tem capacidade de manter as pessoas activas até idades muito mais avançadas do que os 65 anos. Penso que mais tarde ou mais cedo este sistema terá de ser reformulado outra vez", avança o especialista.

Por isso mesmo, Pedro Corte Real alerta para a necessidade de poupança adicional. É que para contornar o corte de 3,14% em 2011 - que se aplicaria durante o resto da vida de pensionista -, uma reforma de 500 euros terá exigido um desconto extra de 4.289 euros. "E os valores são muito por baixo", alerta. Em 2012, o valor sobe para cinco mil euros e em 2040 ultrapassa os 22 mil euros (ver projecções em www.economico.pt).

O especialista sublinha que as projecções do Governo avançadas por altura da reforma da Segurança Social (2006) falharam, uma vez que se baseavam num cenário optimista nomeadamente no crescimento e no desemprego e acredita que a falência do sistema chegará antes de 2036. Recorde-se que o Executivo previa que fossem necessários mais cinco meses de trabalho por cada dez anos para ter direito à pensão completa.


  • Impacto do factor de sustentabilidade na reforma:


 

  • Qual o valor que será necessário descontar, ao longo da carreira contributiva, para evitar cortes a longo prazo? É possível ter simulações no mesmo âmbito temporal?






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