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Habitação

Conheça as casas que estão à venda no mercado de luxo

Eduardo Melo e Elisabete Soares  
24/02/12 14:00

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Após seis meses de completa estagnação, o imobiliário de luxo está a despertar o interesse de sul-americanos, russos, angolanos e ingleses.

Contrariando o rumo recessivo da economia portuguesa, o negócio imobiliário de compra de casas de luxo parece estar a dar sinais de vitalidade nos primeiros dois meses do ano. Sotheby's, IRGlux, Luxus e Doorbell são algumas das redes de mediação do imobiliário de luxo que confirmam uma dinâmica inversa ao andamento da economia. "Tínhamos alguns negócios em carteira, do final de 2011, que foram concretizados nestes meses de 2012. Está a correr bastante bem. Realizámos cinco negócios, um deles a um angolano que pagou, a pronto, três milhões de euros, por uma Vila Romana, em Cascais [uma das fotos do mosaico, ao lado]", revela o director-geral da Sotheby's em Portugal, Tiago Queiroga.

"Nas últimas três semanas realizei mais negócios do que durante o ano de 2011", confessa o proprietário da mediadora IRGlux, Nuno Durão. O especialista estima ter concretizado "20 milhões de euros, embora as negociações se arrastassem há vários meses", revela ainda Nuno Durão. "Uma casa no empreendimento do Hotel Palácio, no Estoril, por dois milhões de euros, um apartamento no Estoril Residence, várias moradias na Quinta da Marinha, uma delas por três milhões de euros", explica o gestor da IRGlux. Brasileiros, angolanos, russos, ingleses, suíços e nórdicos, além de portugueses, estão entre os grandes interessados por este tipo de imóveis.

A instabilidade económica e as fracas taxas de juro dos depósitos são factores que determinam a aposta no imobiliário. "O investimento em tijolo e na terra é algo mais seguro e durável no longo prazo", defende Tiago Queiroga. O investidor português com liquidez e que não tenha de recorrer à banca percebe que "há boas oportunidades e que os proprietários estão mais receptivos a baixar preços", reforça.

Banca pressiona proprietários
Há vários factores que se conjugaram no início do ano: "Maior pressão da banca junto dos proprietários para reduzir os níveis das dívidas, implicando a redução de preços; as famílias já perderam o sonho de que vem aí um milionário com uma mala cheia de dinheiro", defende Nuno Durão.

A presença directa no Brasil trouxe frutos a outra mediadora portuguesa: "A Luxus concretizou algumas vendas, nas últimas semanas, no condomínio The Valley", junto à Quinta da Marinha, conta o dono da Luxus, Francisco Prospero dos Santos. Para esta operação terá ajudada as correcções de preços, "entre 10 a 15%", comenta Francisco Prospero dos Santos. Para os estrangeiros, a recente legislação relativa a residentes não habituais, proposta pelo anterior Governo, que entrou em vigor no final de 2011, tributa os rendimentos a 20% e não os 50%, ou mais, dos seus países de origem. "É uma vantagem para os clientes nórdicos, que compram casa em Portugal, mudam o domicílio fiscal para cá e têm um benefício fiscal da ordem dos 50%", conta Tiago Queiroga.

"Ontem [sexta-feira], estive com um casal de suecos, reformados, em que o filho é meu colega da Sotheby's, na Suécia. Como no Inverno, na Suécia, as temperaturas são negativas (a semana passada estiveram 20 graus abaixo de zero, em Estocolmo) este casal escolhe, todos os anos, um diferente país onde arrenda uma casa: em 2010 estiveram na Sérvia e este ano escolheram Lisboa. Gostaram tanto de Lisboa que prometem quebrar a rotatividade e regressar a Portugal. Começámos a falar dos incentivos fiscais, da beleza dos monumentos da cidade...É assim que se fidelizam clientes e os levamos a comprar casa em Portugal", adianta Queiroga.

Apresentação no Brasil
A Sotheby's vai realizar em breve a projecção de Portugal em Campinas, cidade vizinha de São Paulo, junto de líderes de opinião e de investidores locais para captar clientes para Portugal. A sessão irá destacar as qualidades de Portugal, em particular a segurança do país (13º mais seguro no ‘ranking' mundial), bem como as ligações aéreas de Portugal com as principais cidades brasileiras e de Portugal para todas as capitais europeias. "A nossa localização estratégica para a Europa, Ásia e América: ao comprar casa em Portugal, o brasileiro está a entrar no espaço Shengen", destaca ainda Tiago Queiroga. "O conceito de loja-âncora, dos centros comerciais, pode ser transposto para aqui: o estrangeiro compra a sua casa em Portugal, tem a sua âncora cá", refere Tiago Queiroga.

O forte crescimento económico nos países da América do Sul, como o Brasil, Chile e a Argentina, leva os empresários locais a investir em propriedades no estrangeiro. Portugal está a ser um destino desse investimento. "Estes são investidores exigentes, que procuram boas propriedades, com óptima construção e com valores histórico", confere o dono da mediadora Doorbell, Jorge Próspero dos Santos.

A zona de Palmela, perto de Lisboa, é outro dos destinos do investimento destes empresários. "Estes investidores preferem zonas rurais", diz. A correcção dos preços das propriedades é um atractivo adicional para a recuperação das operações imobiliárias. "Há descontos de proprietários que chegam a 40%", conclui Jorge Próspero dos Santos.


Números em destaque

- A Sotheby's tem uma carteira de 2.300 imóveis, avaliados em 2,7 mil milhões de euros. Em 2011, o valor médio das operações da mediadora internacional foi de 750 mil euros e a faixa de maior número de negócios oscila entre 500 mil e um milhão de euros.

- Milfontes tem um castelo à venda por 4,5 milhões de euros. A Sotheby's é responsável pela sua comercialização.

- Nestes dois primeiros meses do ano, a mediadora IRGlux negociou operações avaliadas em 20 milhões de euros.

- Os preços das casas de luxo não ficaram imunes à crise. O dono da mediadora Doorbell, Pedro Abecassis, estima quedas entre 20 e 40%.

Nota: Trabalho publicado na edição de 22 de Fevereiro de 2012 do Diário Económico





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