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O presidente da ISA, José Basílio Simões, participou ontem na cerimónia do toque do sino na bolsa, acompanhado pelo Luís Laginha de Sousa.
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A tecnológica ISA torna-se a primeira empresa portuguesa a entrar no mercado Alternext.
Chama-se ISA - Intelligent Sensing Anywhere e é a primeira empresa portuguesa a estrear o Alternext, mercado da NYSE Euronext destinado a pequenas e médias capitalizações. As acções são admitidas hoje à negociação mas não é esperada uma liquidez elevada que permita aos investidores conseguirem facilmente investir na empresa. Isto porque a empresa entrou no Alternext via colocação privada num aumento de capital e os principais accionistas acordaram não vender as acções durante os próximos seis meses.
Aliás, os negócios a envolver acções da ISA serão feitos através de negociação por chamada, segundo o director de mercados da NYSE Euronext Lisbon, Miguel Geraldes. Ainda assim, trata-se de um marco importante para a bolsa portuguesa, que ainda não tinha conseguido atrair empresas para o Alternext. "Foi um momento que tardou alguns anos a chegar", referiu o presidente da NYSE Euronext Lisbon, Luís Laginha de Sousa, na cerimónia de apresentação da entrada em bolsa da ISA.
Apesar de se perspectivarem poucos negócios, a empresa de Coimbra conta realizar aumentos de capital no futuro para financiar a sua expansão internacional. No final de 2011, 30% da facturação da ISA veio do exterior, mas o presidente da empresa conta que até final de 2013 as exportações pesem 60% no volume de negócios da empresa. A empresa entrará em bolsa com uma avaliação de 7,5 milhões de euros e com um preço de cinco euros por acção.
Trunfo da ISA é expandir-se geograficamente
O modelo de negócio da empresa assenta na telemetria, através de sensores.Isto é, permite aos clientes serem mais eficientes quer seja na poupança energética, assim como no transporte de combustíveis.A empresa tem parcerias com algumas gigantes como a Galp, a EDP e a PT e tem como clientes grandes multinacionais como a BPe a Repsol.
Segundo a circular da oferta, documento que pode ser consultado no site da NYSEEuronext (nyx.com), os proveitos operacionais da empresa registaram uma subida de 51,3% em 2011 relativamente a 2010. Situaram-se em 7,6 milhões de euros. Já o lucro da empresa aumentou 26,3% para 61,62 mil euros.
Com a segunda fase do aumento de capital da empresa no valor de 3,5 milhões de euros, a estrutura accionista é composta da seguinte forma: o Fundo de Capital de Risco Capital Criativo detém 49,03%, seguido pela ISA SGPS, ‘holding' dos fundadores, com 44,75%. Os colaboradores da ISAdetêm 3,6% da empresa e a empresa tem 1,07% em acções próprias.
Entre os pontos fortes destacados pela empresa no documento de entrada em bolsa está o de "ser uma empresa de produto com a finalidade de poder escalar as suas vendas sem necessidade de crescer significativamente a sua estrutura de custos fixos". A empresa salienta ainda a diversificação de clientes: 148 clientes espalhados por 121 países, apesar de no ano passado, o peso do maior cliente no volume total de negócios mais que duplicou, de 11% para 23%.
O que é o Alternext?
O Alternext é um mercado destinado a que as PMEtenham acesso ao mercado de capitais de forma mais flexível que no mercado normal.Neste mercado, as cotadas apenas têm de divulgar contas semestralmente, ao contrário das empresa do mercado regulamentado, onde as cotadas vão ao teste dos mercados de três em três meses. Têm também mais flexibilidade nas normas contabilísticas a adoptar.
Existem 180 empresas europeias cotadas neste mercado com 6,3 mil milhões de euros de capitalização bolsista conjunta.Na sua grande maioria são empresas francesas.
Laginha de Sousa confiante na saída da crise
O presidente da NYSE Euronext Lisbon, Luís Laginha de Sousa, mostra-se confiante de que a Europa dê a volta à crise de dívida soberana."Pessoalmente tenho uma postura positiva, já que sendo a Europa uma das regiões mais ricas do mundo e com índices mais elevados de progresso civilizacional, encontrará soluções", referiu na cerimónia da admissão à negociação das acções da ISA. Além disso, Luís Laginha de Sousa elogiou o comportamento das empresas portuguesas, salientando o crescimento das exportações. Referiu que, apesar da crise na zona euro, "o mundo continua a crescer e a ter grandes oportunidades e as empresas têm tido essa capacidade de ultrapassar a limitação do mercado doméstico". Defendendo que as empresas que não ambicionam crescer acabarão por "definhar", o presidente da bolsa considera inevitável que procurem formas alternativas e complementares de financiamento.
Negócio da ISA
- A ISA opera na área da telemetria, permitindo controlar e poupar no transporte de combustível, por exemplo.
- Entre a carteira de clientes contam-se a Galp, a Repsol e a BP.
- Os proveitos operacionais da empresa aumentaram 50% em 2011 para 7,6 milhões de euros.
- O resultado líquido foi de 61,62 mil euros, mais 26% que em 2010.
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