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Vital Moreira

Compromissos difíceis

18/11/09 00:02 | Vital Moreira 



Contra o cepticismo e o negacionismo de muitos, a economia portuguesa foi das primeiras a sair da grande recessão e é uma das que está a recuperar com maior ritmo.

Todavia, para além dos persistentes efeitos negativos sobre o emprego - que vão demorar a inverter-se -, essa boa notícia não pode fazer esquecer os custos orçamentais da crise.

O primeiro efeito negativo sobre as finanças públicas foi obviamente uma substancial diminuição da receita fiscal, desde logo do IVA, por efeito da retracção da actividade económica e da descida dos preços (bem como da redução de alguns impostos). Sucede, aliás, que a recuperação da receita fiscal não vai acompanhar imediatamente a retoma económica, dada a ‘décalage' temporal entre o acto gerador da receita e a sua cobrança.

O segundo efeito orçamental da crise foi o aumento da despesa pública, em consequência do aumento dos gastos com a protecção social (desde o subsidio de desemprego ao rendimento mínimo de inserção), da despesa com a sustentação do emprego (formação profissional, ‘lay off', etc.) e do aumento do invesrtimento público (para compensar a perda de investimento privado e tentar dinamizar a economia). Pode afirmar-se sem exagero que uma das razões por que a economia portuguesa resistiu melhor do que outras à recessão e está a recuperar melhor do que outras tem a ver justamente com esse esforço orçamental do Estado.

As consequências só podiam ser a subida do défice orçamental e o crescimento da dívida pública. Independentemente da sua exacta dimensão, as projecções recentemente divulgados pela Comissão Europeia só podem espantar os incautos ou os fariseus. Muito menos pode surpreender que a UE tenha estabelecido um novo calendário para o restabelecimento da disciplina orçamental para depois da crise. Não era simplesmente admissível que a crise justificasse a suspensão sem prazo do pacto de estabilidade e crescimento (PEC). O défice e o endividamento público excessivo só são admissíveis transitoriamente como meio de resposta à crise.

Os Estados-membros da UE (e os outros, bem entendido) vão ter de restabelecer a curto prazo os mecanismos de equilíbrio orçamental, quando a economia ainda não gera um substancial aumento de receitas fiscais e quanto ainda não pode prescindir do investimento público e de apoios sociais (apoio ao emprego, reconversão profissional, etc.), mesmo que as medidas de apoio transitório possam e devam ser descontinuadas. Sucede, aliás, que a retoma económica não tardará a fazer subir de novo as taxas de juro, tornando mais onerosa a dívida pública, entretanto muito avolumada. Um motivo de preocupação adicional, portanto.

Excluído o aumento de impostos, compromissos difíceis esperam os ministros das finanças.
____

Vital Moreira, Eurodeputado eleito pelo PS


Comentários

schieder da silva, munique | 18/11/09 07:53
NA PRÀTICA AS COISAS ESTAO MÀS E AINDA VAO PIORAR MAIS SE AS PESSOAS NAO TIVEREM EMPREGO :PARA UMA PESSOA NA SUA POSICAO ATÈ PODE DIZER QUE NUNCA ESTEVE TAO BOM ;SÒ QUE HÀ MAIS DESEMPREGO E MAIS PESSOAS A PRECISAREM DE AJUDA MESMO A TRABALHAREM ;O SR:COMO GOVERNANTE DESDE HÀ MUITOS ANOS CONTRIBUIU PARA QUE ISTO ESTEJA A ACONTECER :VEJA LÀ È UM POUCO MAIS COERENTE QUE NAO SE PERDIA NADA


jorgetormenta, mafra | 18/11/09 08:26
Fica muito mal a um eurodeputado embarcar nesta demagocia barata,quando sabe bem que isto não é verdade.
Como sabe os numeros são manipulados da maneira que dá mais jeito,assim como o desemprego,claro que irá continuar subir e se calhar até aos 13% como disseram á pouco tempo pessoas intregas e sem necessidade de permanentemente estar a mentir.


Norberto de Serpes, | 18/11/09 09:00
O seu texto está em "Plano Inclinado".


AT, | 18/11/09 09:34
Falar de recuperação ecnomica em portugal,tem que ser um exercicio sério e bem fundamentado;não basta debitar umas frazes bem construidas.
É importante descer à terra, falar com quem vive com 500 ou 600 euros por mês e enfrenta dificuldades crescentes de toda a natureza.A essas pessoas não consegue convencer, que a sua vida vai melhorar a curto prazo.Os empregos vão demorar muito tempo a criar. Se os constrangimentos continuarem a crescer ao ritmo que têm crescido, duvido que alguem se empenhe a investir,e alutar contra amáquina devoradora em que se tornou o nosso Estado.
Veja se utiliza a sua influencia para para que o estado se torne mais eficiente e rápido a despachar dossies que entravam a vida das empresas.Não podemos continuar a pedir a criação de postos de trabalho e simultâneamente a demorar mais de dez anos a licenciar as empresas. As leis são feitas e não são respeitadas.Faça lá o favor de ajudar a economia portuguesa, questiona sobre estas e outras coisas parecidas. Ajudará tambem a que aja menos corrupção desta forma. obrigado.


Realista, Porto | 18/11/09 11:23
Concordo inteiramente com o artigo. Aliás não deixa de ser curioso que, sendo licenciado em economia, concordo mais frequentemente com as opiniões de não economistas que de economistas, devido ao tal cepticismo e negativismo por parte da maioria destes. O governo tem que practicar a contenção mas sem deixar de apostar nos investimentos públicos, a pensar no futuro. A saída para a quase totalidade dos nossos problemas actuais está no crescimento económico. É para aí que devemos olhar.


Helder Tavares, Lisboa | 18/11/09 12:12
Já todos sabemos. O problema é todo da crise internacional.Foi isso que o patrão(o actual) mandou dizer não foi? O anterior não alinha nisso.Mas não há problema, se for preciso muda-se outra vez.Só não deve existir quem o queira.


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