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Habitação

Compra de casas para investir e arrendar disparou no final do ano

Elisabete Soares  
01/02/12 09:50

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Com a crise, há quem aplique as poupanças do banco na compra de apartamentos em Lisboa e Porto. Descubra o que agilizou estes negócios e como bancos e promotoras se estão a preparar para 2012.

A dinâmica das vendas de casas a particulares e as transacções da banca no último trimestre de 2011 limitaram as transacções a uma quebra de apenas 7,2%, face a 2010. Só em Dezembro, as vendas dispararam 25%, para 19 mil operações, em relação a Novembro, conclui a análise da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). As mediadoras atribuem o aumento das vendas a transacções de investidores particulares, que retiraram as poupanças dos bancos para apostar no imobiliário, bem como aos imóveis da banca, com propostas de financiamentos a 100% e ‘spreads' competitivos.

O aumento do número de transacções registado em Dezembro surpreendeu a própria APEMIP. "Este aumento expõe, de uma forma que até ao momento não tinha sido perceptível, o facto de o imobiliário nacional estar a ser percepcionado pelos investidores como um verdadeiro activo de refúgio e, simultaneamente, como uma aplicação que garante retorno tendencialmente seguro e imediato", justifica o presidente da associação, Luís Lima.

A outra boa notícia é que a dinâmica prolongou-se em Janeiro. "O primeiro mês do ano possivelmente vai ainda ser melhor, porque as vendas mantêm um registo positivo", atesta o director-geral da ERA Portugal, Miguel Poisson. Na avaliação do ano que agora terminou, o responsável da ERA salienta que "os últimos meses de 2011 apresentaram dinâmicas muito positivas nas vendas de habitação, impulsionadas pelos clientes que compraram a pronto pagamento, retirando as poupanças dos bancos.

Pelas suas contas, cerca de "metade dos clientes são investidores que estão a antecipar a lei do arrendamento e querem colocar no mercado esses imóveis quando a situação estiver definida", ou, acrescenta, "particulares que estão a retirar as poupanças dos bancos para investir no imobiliário, porque consideram um investimento mais seguro".

Porém, todos caminham para a mesma conclusão: o peso dos imóveis da banca irá aumentar ainda mais este ano. "São as próprias instituições bancárias que colocam já parte dos imóveis no mercado do arrendamento, através dos fundos imobiliários criados para o efeito. A outra parte é para vender a preços mais acessíveis, já que a avaliação também é feita pelas instituições bancárias, que normalmente reduzem o valor do imóvel", confere o director do departamento residencial da CBRE, João Nuno Magalhães.

Promotores descem preços
Na tentativa de estimular a venda de imóveis, a única solução que resta aos promotores imobiliários é descer os valores. "Baixar os preços e conseguir vender as casas, ou entregar os imóveis à banca", sustenta o director da mediadora MHP, Paulo Delgado. Na sua opinião, houve muitos negócios concretizados na sequência de novas reduções dos preços, com os promotores a conseguirem, no último momento, evitar a entrega à banca por incumprimento.

Paulo Delgado confirma ainda que muitas transacções são feitas por privados "sem recurso ao financiamento, em que os clientes levantaram o dinheiro que tinham em depósito e títulos, para comprarem habitação para arrendamento". Outra explicação para o aumento, em Dezembro, do número de transacções está relacionada com a isenção de oito anos em sede de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), que se reduz para três anos na sequência da aprovação do Orçamento do Estado para 2012.

No ano anterior, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto concentraram cerca de um terço (31,7%) das transacções imobiliárias registadas em Portugal (33,3% em Dezembro), dos quais quase um quinto (19,2%) em Lisboa e o restante (12,5%) no Porto, refere ainda a análise da APEMIP.

Nas operações de dação em pagamento à banca contabilizaram-se 6.900 imóveis em 2011, dos quais 45,2% aconteceram em Lisboa e Porto. O fenómeno agravou-se (17,9%) no segundo semestre do ano anterior, conclui a APEMIP.

Novos negócios do imobiliário

50%
A compra de habitação sem recurso a crédito bancário é agora de 50%, contra 35 a 40% em 2010. Os investidores têm preferido retirar as poupanças da banca e aplicá-las no imobiliário.

100%
Numa altura em que os clientes e empresas têm dificuldade em angariar crédito, a mesma banca concede empréstimos a 100% e ‘spreads' mais competitivos para quem comprar imóveis de que é dona.

81%
É a taxa de sucesso das operações de venda dos imóveis da banca nas lojas da rede de mediação ERA. Já no caso dos imóveis de particulares, a taxa de sucesso dos negócios cai para apenas 57%.





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