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Mercado

Como preparar a sua carteira antes de ir de férias

Alexandra Brito  
27/07/12 14:40


Durante as férias de Verão os investidores deverão estar atentos a qualquer notícia que possa influenciar os mercados.

Verão é sinónimo de descanso, praia e lazer. Verão não rima com stress ou com preocupações. Mas nem sempre é assim. Os investidores activos aprenderam nos últimos anos que os meses de calor podem dar cabo dos nervos até ao mais sereno dos investidores. No ano passado, por exemplo, o PSI 20 afundou 19% entre Julho e Agosto, na sequência da Standard &Poor's ter retirado o ‘rating' AAA aos EUA. Em três meses evaporaram-se da praça lisboeta 11 mil milhões de euros em termos de capitalização bolsista. Nas principais praças mundiais, o cenário foi semelhante.

O facto de o mês de Agosto ser, por norma, um mês com baixos volumes de negociação pode levar a uma maior amplitude dos movimentos de correcção. "O mês de Agosto pode ser um mês perigoso para os novos investimentos, pois se é verdade que historicamente os mercados têm menor volatilidade e volume nesta época, a falta de volume é propícia ao exacerbamento de correcções, como aquela que aconteceu no ano passado, quando o índice norte-americano S&P 500 corrigiu 16,77% entre 22 de Julho e oito de Agosto", explica fonte do Activo Bank.

Os acontecimentos de Agosto do ano passado não são um episódio esporádico de como o Verão pode ser traiçoeiro para os investidores. A história recente está repleta de exemplos semelhantes. Por exemplo, foi no final de Julho de 2007 que implodiu a crise do ‘subprime' e foi também no final do Verão de 2008 que a Lehman Brothers abriu falência. 

E as perspectivas para o comportamento das bolsas para este Verão também não são das mais optimistas. "Infelizmente já não existem períodos muito calmos nos mercados. O que se passou em Agosto do ano passado é disso um exemplo", explica Nuno Serafim, director geral da IGMarkets para a Península Ibérica. "O nível de incerteza permanece muito elevado e assim vai continuar por muito meses. A Europa e os desenvolvimentos da Cimeira de Junho continuarão em cima da mesa, nomeadamente a ajuda a Espanha. Os problemas no Irão e na Síria são também eles um foco de instabilidade embora num patamar mais reduzido", adianta o mesmo responsável.

Uma opinião que é partilhada pela generalidade dos especialistas contactados pelo Diário Económico. "A volatilidade que se tem sentido nos mercados accionistas nos últimos meses parece assentar em factores de risco que ainda não estão dissipados nos mercados financeiros", diz Rui Pacheco, da direcção de investimentos do banco Best, salientando não só a a crise financeira da Zona Euro, mas também a ameaça do abrandamento da economia mundial como factores de pressão.

Perante tanta incerteza, o que devem então fazer os investidores antes de "irem a banhos"? A estratégia depende da disponibilidade que os investidores terão durante as suas férias para acompanharem os mercados. O ActivoBank refere, por exemplo, que o aparecimento de novas aplicações tecnológicas vocacionadas para investimentos, permite aos investidores fazerem o acompanhamento das suas carteiras na praia, através de um smartphone ou de um tablet.

No entanto, a prudência recomenda aos investidores tomarem medidas para proteger os seus portfólios de eventuais correcções que os mercados possam registar durante as férias. Assim, os investidores poderão colocar ordens stop-loss para limitar as perdas do portfólio. De igual forma, poderão fazer a cobertura de riscos de algumas das suas posições. Uma solução alternativa poderá passar também pela venda da carteira de investimentos e a alocação dos investimentos em produtos de liquidez.

"Por definição, um investidor activo não vai de férias, ou melhor quando vai de férias tem de forçosamente reavaliar os riscos e isto quer dizer: reduzir a sua exposição ao mercado", explica Nuno Serafim, da IGMarkets. Uma opinião partilhada por Rui Pacheco do banco Best. "Para um investidor activo, que adopte estratégias de negociação focadas no curto-prazo e esteja impossibilitado de poder acompanhar de forma regular o mercado poderá fazer sentido realizar alguns ajustes na carteira, abdicando de assumir posições que exijam um acompanhamento dos mercados".

Já os investidores com uma visão de longo prazo estarão mais imunes a estas preocupações. Os especialistas do ActivoBank referem mesmo que para um investidor com um horizonte temporal de cinco anos esta até poderá ser uma boa altura para entrar nos mercados. "Apesar de alguma incerteza quanto ao momento certo para investir, os mercados permanecem com valorizações relativamente atractivas para um horizonte de investimento a médio-longo prazo, ou seja, historicamente esta será uma altura razoavelmente barata para começar um plano de investimentos que permita diluir o risco de escolher uma altura cara para investir", explica fonte do banco online. Os conselhos estão dados: boas férias e bons investimentos.


Estratégias para o Verão

1 - Stop-loss
Para os investidores activos que querem manter as suas posições e ir de férias descansados é imprescindível a colocação de ordens ‘stop loss', para limitar possíveis perdas na carteira de investimento. "Introduzir uma ordem prévia em mercado, que cancela a posição tomada caso o investidor esteja a incorrer em perdas, limitando os prejuízos", explica Rui Pacheco da direcção de investimentos do banco best.

2 - Hedging
Uma outra estratégia que poderá ser utilizada pelos investidores que não queiram desfazer-se da sua carteira pode passar pela tomada de posições de cobertura do risco, uma estratégia conhecida como ‘hedging'. Isto porque existem alguns instrumentos financeiros, como os ‘reverse exchange traded-funds' ou os CFD's que permitem "apostar" nas diversas direcções que os activos possam tomar. Ou seja, permitem beneficiar tanto da valorização como da queda dos activos. Assim, por exemplo, se o investidor tiver aplicado em acções de uma empresa e se temer que os títulos desvalorizem durante as suas férias, poderá investir num CFD que aposte na queda dos títulos. Assim, a perda que terá com as acções da empresa será compensada pelos ganhos obtidos no investimento neste CFD.

3 - Vender a carteira
Alguns especialistas dizem que se os investidores quiserem ir de férias realmente descansados e sem preocupações, o ideal será saírem do mercado e fecharem (ou pelo menos reduzirem) a sua exposição aos mercados e activos de maior risco. "Mais liquidez e activos de menor risco" . Este é o conselho de Nuno Serafim, director-geral da IG Markets para a Península Ibérica. Um conselho que adquire uma maior importância perante o risco latente de podermos enfrentar um Verão quente nos mercados.

4 - Privilegiar activos defensivos
Outra solução a ter em conta passa por fazer uma reestruturação do portfólio: privilegiando activos mais defensivos. A pedido do Diário Económico, o Best seleccionou alguns fundos mais conservadores, de curto prazo, para os investidores colocarem os seus investimentos em modo "stand by" durante as férias de Verão. O Best sugeriu o Nordea-1 European Low CDS Governement Bond. "É um fundo recente que investe nos cinco países europeus com menor risco associado pelo mercado", refere Rui Pacheco. Já o ActivoBank, apesar de não recomendar um fundo específico, aconselha os investidores que queiram colocar as suas aplicações em ‘stand by' durante as férias a seleccionarem um fundo de tesouraria.





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