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A incerteza em torno do futuro da Grécia está a deixar os agentes do mercado nervosos.
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O resultado das eleições gregas poderá condicionar o futuro do país e da própria zona euro. Conheça os cenários para os mercados.
Os mercados estão transformados num labirinto devido à incerteza sobre a evolução da situação na zona euro. E, à semelhança do que sucedeu no Labirinto do Minotauro, os investidores não sabem se o desenlace da tragédia grega será ao estilo de Teseu- que conseguiu sair do labirinto recorrendo ao fio da Ariadne- ou de Ícaro- que acabaria por morrer ao tentar escapar. A partir de 17 de Junho, data das novas eleições gregas que estão transformadas quase num referendo à moeda única, os investidores ficarão a saber se Atenas evitará sair do euro. "As próximas eleições na Grécia devem ser vistas como um ‘game changer", referiram os analistas do RBCCapitalMarkets num relatório. É com base nos resultados de 17 de Junho que os investidores já começam a formar cenários sobre o que acontecerá aos mercados se a Grécia sair ou permanecer no euro.
O desfecho das eleições poderá abrir uma "caixa de Pandora" na Europa com reflexos nos mercados.Os líderes europeus e os bancos de investimento temem que se os partidos favoráveis ao programa de austeridade não conseguirem formar governo, a Grécia acabe por sair da moeda única. Isto porque o segundo partido mais votado no escrutínio de Maio, a Coligação da Esquerda Radical, quer renegociar o programa, apesar de defender a continuidade no euro. O problema é que de Bruxelas e Berlim a mensagem foi clara. Não há renegociação.
As sondagens não apontam para resultados esclarecedores pelo que os investidores continuarão a jogar à defesa e a arriscar pouco para encontrar a saída do labirinto até final de Junho. "O mercado deverá continuar na defensiva, com aversão ao risco, pelo menos até 17 de Junho e provavelmente até à próxima cimeira europeia de 28 e 29 de Junho", alertaram os analistas doNatixis num relatório. O mesmo é dizer que o mais provável é que as bolsas e a dívida pública de países como Espanha, Itália e Portugal continuem sob pressão. "Acredite-se ou não que uma solução para a Grécia será encontrada, o mais provável é assistirmos a uma aceleração do stress dos mercados", observam os economistas do RBCCapitalMarkets.
O jogo político tem sido duro e os investidores temem que a palavra da Europa seja levada à letra.Apesar de legalmente um país não poder ser expulso do euro, as autoridades da UEpodem forçar expulsão. "Não existe um mecanismo legal para forçar a Grécia a sair, mas na prática isso seria possível negando o acesso dos bancos gregos ao financiamento do BCE", explicaram os analistas doGoldman Sachs num relatório. Cortar o financiamento à Grécia significaria que Atenas teria de impor controlos à saída de capital, o que viola os tratados europeus e não teria outra alternativa em instituir a sua própria moeda para fazer face à falta de acesso à moeda europeia.
E, neste cenário, seria aberta a "caixa de Pandora", com as bolsas europeias a correrem o risco de perder 50%, segundo contas feitas pelo Société Générale. "Com os credores externos a cortarem as suas linhas de crédito com a Grécia e com os depositantes a lutarem para levantar os seus depósitos antes da falência dos bancos, o sistema financeiro grego - e com ele a economia grega - afundava-se", disseram os analistas do Goldman Sachs num estudo. O pior é que, segundo o banco, "as condições de mercado são delicadas e sensíveis à instabilidade na Grécia e existe o potencial para o caos na Grécia espoletar corridas aos bancos noutros países".
Assim, os cenários para o que acontecerá aos mercados são diferentes numa eventual saída de Grécia.Se o abandono da união monetária for feito com tempo para a Europa proteger os outros países do euro com antecedência (através de injecções de liquidez e de um fundo europeu de garantia de depósitos, por exemplo), os impactos seriam negativos mas não tão devastadores como uma saída do euro feita de forma rápida. No pior cenário, "o risco de contágio seria grande e difícil de conter, tanto antes como depois de acontecer. Uma saída aumentaria o risco dos sistemas bancários da periferia e o acesso ao mercado primário por parte de Espanha e Itália estaria em risco", concluem os economistas do RBCCapital Markets.
Eleições de 17 de Junho
Incerteza total nas eleições gregas
Os resultados das eleições gregas de 6 de Maio não permitiram que se conseguisse formar um governo. A situação política tornou-se num ‘puzzle' que ainda está longe de estar resolvido. As últimas sondagens divulgadas têm mostrado dados contraditórios.Se os primeiros dados após as eleições apontavam para uma vitória do Syriza (Coligação da Esquerda Radical), nos últimos dias houve sondagens a mostrarem que os partidos favoráveis ao memorando, como a Nova Democracia, estavam a ganhar terreno. Uma sondagem feita quarta-feira mostrava que os gregos estavam divididos. Além da indecisão em torno do vencedor, foi ainda questionado aos inquiridos se defendiam uma revisão do programa da troika. 77% disseram que sim. No entanto, 52,4% dos gregos mostraram vontade de continuar no euro mesmo que isso implique aceitar as medidas de austeridade definidas no programa. 44,5% disseram que nesse caso a Grécia deveria sair da união monetária. Os partidos gregos que assinaram o memorando são a Nova Democracia e o Pasok. Os restantes declararam-se opositores ao memorando assinado com a troika. A margem de erro da sondagem da GPOrealizada para o canal de televisão Mega tem uma margem de erro de 2,6%.
Impactos imediatos de uma saída desordenada
- Controlo dos fluxos de capital e das fronteiras na Grécia.
- Depositantes gregos são obrigados a aceitar a redenominação na nova moeda.
- Além de sair do euro, a Grécia corre o risco de ter de abandonar temporariamente a UE para poder legislar no sentido de colocar a sua dívida externa denominada em dracmas em vez de euros.
- Investidores estrangeiros sofreriam perdas. Os particulares de 80 mil milhões de euros e os oficiais (UE, BCEe FMI) de cerca de 400 mil milhões de euros, segundo contas do RBCCapital Markets.
Impactos de segunda ordem
- Os juros cobrados aos países do euro para se financiar aumentariam para reflectir a probabilidade de haver mais Estados a sair do euro.
- As autoridades teriam de estancar o risco de corridas aos depósitos noutros países da zona euro e de mitigar a subida nas taxas de juro.
- Haveria um impacto negativo nas trocas comerciais transfronteiriças, devido ao receio de mais países saírem do euro.
- Empresas dos países mais fracos teriam mais problemas em concorrer com as das nações mais fortes devido à dificuldade de encontrar financiamento externo.
Trabalho publicado na edição de 1 de Junho de 2012 do Diário Económico
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