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O que quer estudar e onde? O Diário Económico apresenta um guia para o ajudar na escolha.
Porque o tempo em que se tirava uma licenciatura para toda a vida e não se voltava à escola já lá vai, o Diário Económico diz-lhe o que deve levar em conta na hora de escolher um curso de formação seja para evoluir na carreira ou para mudar de vida, porque se sente cansado do que faz. Uma coisa é certa: a formação ao longo da vida é uma exigência cada vez maior do mercado de trabalho. E não só para os quadros superiores. As pessoas todas, no geral, precisam de fazer formação. "Se não fizerem formação são menos competitivas, menos preparadas. E devem fazê-lo quando ainda estão a trabalhar dentro de uma empresa e não quando já estão desempregadas e precisam de ir para a competição. É preciso prevenir em vez de remediar", afirma José Bancaleiro, CEO em Portugal da ‘executive search' Humancap International.
O primeiro passo a dar é fazer uma introspecção e identificar o seu perfil e objectivos. "Todas as pessoas devem ter um objectivo de carreira. Devem defini-lo e isso deve ser levado em conta quando se escolhe a formação", acrescenta José Bancaleiro.
Depois, é importante saber que tem de despender três coisas: dinheiro, tempo e energia. Tem de olhar com realismo para o que pretende fazer. Veja se é melhor fazer uma formação cedo ou ganhar experiência profissional primeiro e fazer um MBA mais tarde. Os mestrados, que são programas intensivos e em ‘full time', destinam-se ao perfil do recém-licenciado ou com pouca experiência profissional. Para quem tem experiência profissional, é melhor optar por um MBA ou uma pós-graduação. Os Executive MBA exigem mesmo um número mínimo de anos de experiência profissional. E alguns MBA já dão o equivalente ao grau de mestre.
Quando for analisar a oferta, deve ter em mente o que pretende: reforçar competências na área onde trabalha e aí deve definir o que quer ou precisa de reforçar, ou adquirir novas competências, porque está cansado do que faz e quer mudar o ponteiro. Aí deve procurar especializar-se na área para a qual pretende mudar. Embora haja uma crescente procura das ‘soft skills' (competências comportamentais, como liderança, comunicação), as hard skills (competências técnicas) continuam a ser importantes, por uma questão de actualização e reciclagem de conhecimentos.
Tenha em conta, na escolha, que há escolas com formação mais próxima da realidade e outras mais académicas. "Procuramos fugir ao ensino mais tradicional. São cada vez mais valorizadas abordagens metodológicas com temáticas inovadoras e criatividade", diz Rosa Silva, da Psicoforma, empresa de consultoria em gestão. Os métodos de aprendizagem práticos, com estudo de 'case studies' reais, são indicadores de uma escola virada para o futuro. O professor a debitar matéria na aula para alunos passivos, que se limitam a ouvir e depois a mostrar o que sabem nos exames, é um formato do passado.
A reputação é tudo para as 'business school'
Não é surpresa para ninguém, por outro lado, que a notoriedade da escola é muito importante. É preciso ter em conta as suas acreditações internacionais e lugar nos ‘rankings'. "Não é um factor decisivo, mas é um indicador e é muito importante", sublinha o CEO da HumanCap. E, para mais, "quando são cursos muito caros, é um mau investimento se não houver reconhecimento da escola", acrescenta. E se puder fazer o curso numa prestigiada escola internacional, tanto melhor. O mercado de trabalho ficará muito seduzido quando ler essa parte do seu currículo. Mas atenção que as escolas portuguesas também já oferecem programas em parceria com as melhores escolas do mundo.
A revista ‘Masters in Management 2009' - suplemento de ‘Business Education' do "Financial Times" - vai mais longe e diz que "a reputação é tudo para as business schools", citando François Collin, director executivo do CEMS (‘Community of European Business Schools and Internacional Companies'). "Alimenta o ciclo vicioso que permite às escolas atrair e recrutar os professores de topo, os melhores estudantes e influencia os parceiros empresariais", acrescenta. Também não constitui surpresa que a reputação de uma escola ou programa afecta a forma como é visto pelo potencial empregador. Aliás, um bom programa mistura o rigor académico com a relevância empresarial.
Por outro lado, é muito importante também na notoriedade da escola a sua a dimensão internacional, em termos de alunos e professores estrangeiros, e parcerias com outras escolas. Rosa Silva não deixa, contudo, de alertar que "não se deve ir para um curso ou uma escola porque se ouviu falar, porque fazer acções de formação avulso, sem um plano de acção definido, não trazem nenhuma mais valia".
Por último, José Bancaleiro diz-lhe para não se esquecer do potencial de ‘networking' que se adquire nos cursos de formação. E lembra que "o ‘networking' é responsável por 70% das colocações no mercado de trabalho". Agora já tem as dicas, lance-se na escolha.
O que fazer para escolher o melhor curso de formação?
1. Tem de ter em conta o seu perfil e objectivos. Se quer reforçar competências ou adquirir novas. Se procura actualizar ‘hard skills' (técnicas) ou adquirir ‘soft skills' (comportamentais).
2. Tenha em conta o investimento que é preciso fazer, em três frentes: tempo, dinheiro e energia.
3. Vá à procura da oferta no mercado. Deve ter em conta que há escolas com formação mais próxima da realidade e outras mais académicas. Veja as empresas com as quais a escola tem parcerias.
4. A escola é importante. Dá muita credibilidade, embora não seja o factor decisivo.
5. Tenha em conta que se faz muito networking nas escolas e que é responsável por mais de 70% das colocações.
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