Finanças Pessoais

23 Out 2012

Como aproveitar os imóveis em promoção nos leilões dos bancos

Margarida Vaqueiro Lopes
Como aproveitar os imóveis em promoção nos leilões dos bancos

Os dois maiores bancos nacionais estão no mercado com agressivas campanhas na área do imobiliário.

Se o ditado diz que a ‘necessidade aguça o engenho', também dizem os antigos que "é nas maiores crises que surgem as melhores oportunidade". Os bancos parecem ter levado à letra cada um dos dizeres, e estão de mangas arregaçadas a tentar fazer frente a uma das maiores crises do sector imobiliário.

Com as carteiras recheadas - são milhares as famílias portuguesas que já se viram obrigadas a entregar as casas ao banco por não conseguirem cumprir com as suas obrigações de pagamento - as instituições financeiras vêem-se a braços com a difícil tarefa de conseguir transformar em dinheiro todas as casas que têm na sua posse. E porque os tempos não estão para brandos costumes, os dois maiores bancos nacionais apontaram baterias à redução dos imóveis em carteira e estão no mercado com campanhas agressivas, com condições mais vantajosas e com durações mais longas do que as que lançam habitualmente. É o caso das iniciativas da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que apresentou uma campanha dirigida sobretudo a investidores estrangeiros, luso-descendentes e investidores nacionais, e que se pode chamar de ‘oferta de imóveis com rendimento garantido'. O objectivo é vender imóveis destinados a arrendamento, mas já com inquilinos incluídos. Desta forma, o comprador garante retorno, sem período de carência e sem os transtornos de ter de encontrar um inquilino, garantir a sua fiabilidade e ainda tratar de todo o contrato de arrendamento, uma vez que a CGD faz isso por ele.

Todos os detalhes sobre esta nova iniciativa estão disponíveis no site www.caixaimobiliario.pt, que foi recentemente apresentado pela instituição e faz companhia a uma outra: ‘compre casa na Caixa e os custos ficam por nossa conta'. Isto significa que quem aproveitar para comprar um dos imóveis da carteira do banco que esteja abrangido por esta campanha, não precisa de pagar, entre outros, IMT, imposto de selo, preparação de minuta e casa pronta, uma vez que a CGD oferece esses custos. Esta campanha vai estar disponível até ao próximo dia 31 de Março, segundo as informações do site.

Quem também está a apostar forte na redução da sua carteira de imóveis é o Millennium BCP. O banco liderado por Nuno Amado tem a decorrer a campanha ‘Mês das Oportunidades', que, por acaso, desta vez dura dois meses - até ao final de Novembro. Até lá o banco disponibiliza, "em quatro zonas geográficas, mais de 790 oportunidades de negócio: imóveis destinados maioritariamente à habitação, mas também lojas, escritórios, garagens, armazéns e terrenos", lê-se na área do ‘site' do Millennium dedicada à campanha. E se comprar um imóvel através desta campanha e realizar a escritura do mesmo até 31 de Dezembro, a instituição oferece-lhe ainda um desconto de 2% sobre o valor da venda a escriturar, segundo o mesmo portal.

A campanha abrange toda a área geográfica do País e, para além dos leilões, inclui ainda aquisições feitas através da entrega de proposta de carta fechada - pelo menos dois imóveis a cada quinzena, explica o Millennium BCP.

Certo é que com ou sem campanhas especiais, todos os bancos têm actualmente à disposição dos seus clientes um alargado número de condições exclusivas e vantajosas para a aquisição dos imóveis que têm em carteira. Numa altura em que as famílias têm cada vez mais dificuldade em comprar casa, olhar para os imóveis dos bancos pode ser uma solução: regra geral a instituição oferece financiamento a 100%, com um ‘spread' de 1% e várias ajudas em termos de custos de contrato.

No entanto, a nova lei do regime geral do crédito à habitação - aprovada em Setembro passado, embora ainda não esteja publicada em Diário da República - pode vir a alterar este paradigma. Éque a nova regra estabelece que as instituições não poderão oferecer condições mais vantajosas na concessão de crédito para aquisição de imóveis que lhes pertençam, o que significa que todas estas vantagens poderão estar muito perto de acabar.

Trabalho publicado na edição de 12 de Outubro de 2012 do Diário Económico

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