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Depois de uma queda de 3,08% do PSI 20 no primeiro mês do ano, o índice vai também encerrar no vermelho em 2012.
Este ano não promete vida fácil para os investidores nacionais. Sobretudo para os mais nervosos: depois de em 2011 o principal índice accionista da Euronext Lisboa - PSI 20 - ter caído 27,6%, o "barómetro de Janeiro" indica que a história vai repetir-se na bolsa portuguesa.
Segundo este indicador, que tem o "condão" de prever como será o resto do ano com base no desempenho registado em Janeiro, tudo indica que depois de uma queda de 3,08% do PSI 20 no primeiro mês do ano, o índice vai também encerrar no vermelho em 2012. Não se trata de uma bola de cristal nem tão pouco de adivinhação. Trata-se apenas de estatística. E, em Lisboa, o "barómetro de Janeiro" tem revelado uma astúcia inigualável: desde 1993 que apenas por cinco ocasiões o PSI 20 terminou o ano em sentido contrário ao desempenho do índice em Janeiro desse ano. Isto significa que em 75% das ocasiões nos últimos 19 anos, sempre que o PSI 20 fechou Janeiro com ganhos, a rendibilidade anual do índice foi também positiva. Mais: por cada valorização percentual em Janeiro, o PSI 20 tende a encerrar o ano com ganhos de 2,28%.
No entanto, quando o índice encerra em Janeiro abaixo da linha de água, como ocorreu este ano, o rácio de assertividade do "barómetro de Janeiro" é ainda maior: desde 1993 apenas por cinco ocasiões o índice nacional terminou a cair em Janeiro, e em quatro dessas ocasiões terminou o ano com perdas.
No contexto mundial, são raros os índices que apresentam um rácio de assertividade tão elevado. Entre os principais índices do mundo, apenas o Dow Jones Industrial Average (Dow), que agrega as 30 maiores empresas dos EUA, e o Bovespa, constituído pelas 70 maiores empresas do Brasil, rivalizam com o "barómetro de Janeiro" do PSI 20. Todavia, é importante salientar que o coeficiente de correlação entre Janeiro e o resto do ano do índice português é de apenas 0,55 (varia entre 0 e 1, e quanto mais próximo de 1 maior é a correlação das duas variáveis).
Sonae Indústria, BCP e Brisa são as acções mais previsíveis
Se os resultados que o "barómetro de Janeiro" produz no PSI 20 levam, no mínimo, a uma grande curiosidade, quando aplicado individualmente às empresas do índice, o resultado é igualmente interessante. Por exemplo, os títulos de Sonae Indústria, BCP e Brisa são os mais previsíveis do PSI 20, apresentando rácios de assertividade de 83, 72 e 71%, respectivamente. Porém, é importante salientar que, no caso da Sonae Indústria, como a empresa só está cotada desde Dezembro de 2005 o grau de previsibilidade dos títulos para este ano é menor quando comparado com acções do BCP, que estão listadas desde 1987 .
No grupo das acções do PSI 20 menos previsíveis pelo "barómetro de Janeiro" estão os títulos da Portucel, que desde 1996 apenas por cinco ocasiões terminaram o ano em sintonia com o desempenho verificado em Janeiro. Destaque ainda para o facto de que apenas seis das duas dezenas de empresas que constituem o PSI 20 apresentarem um rácio de assertividade inferior a 50%.
Com tamanha pontaria, é caso para dizer que, no que se refere à bolsa nacional, pode aplicar-se o princípio: "diz-me como se comportou a bolsa em Janeiro, dir-te-ei como fecharão os mercados no fim do ano". É verdade que os números não mentem mas, como dizia Winston Churchill, "existem três tipos de mentira: as mentiras, as mentiras pérfidas e a estatística". Será que a história se repetirá este ano?
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