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O antigo director-geral da TVI diz que a estação de televisão mudou depois da entrada do empresário Miguel Pais do Amaral.
"Os dois meses iniciais da minha presença na TVI foram os únicos em que me senti querido na empresa (...) na altura da Sonae", afirmou José Eduardo Moniz, actual vice-presidente da Ongoing (proprietária do Económico), no Parlamento.
Depois, contou, "com a entrada de Pais do Amaral as coisas mudaram, eu passei a sentir-me um mal necessário".
Moniz também recordou os primeiros contactos com José Sócrates. "A primeira vez que percebi que o engenheiro José Sócrates tinha alguma dificuldade em lidar com a informação foi em 2001. Sócrates era ministro do Ambiente e pediu ao nosso jornalista para não passar uma reportagem", lembrou. Aí, afirmou, ficou também a saber, pelo próprio Pais do Amaral, que este era amigo do agora primeiro-ministro.
No entanto, argumentou, a tensão atingiu o ponto máximo com o episódio Marcelo Rebelo de Sousa. "Se eu estivesse em Lisboa, Marcelo nunca tinha saído da TVI", disse Moniz.
A entrada dos espanhóis da Prisa não alterou o panorama, segundo Moniz. "Quando a Prisa entrou, percebi que a minha vida ia ser bastante complicada", referiu, adiantando que "a vontade de manter uma boa relação com o poder era evidente em finais de 2005".
Segundo Moniz, "a tensão rumou até chegar a um ponto que tornou as coisas imprevisíveis", acusando a gestão de "se aproveitar de uma ausência minha no estrangeiro" para afastar Manuela Moura Guedes. "Quando rebentou o caso Freeport, o ambiente piorou ainda mais", descreveu.
"Depois das eleições as coisas podem mudar"
No Parlamento, Moniz também revelou uma conversa com Juan Herrero, onde o administrador da Media Capital lhe terá dito que com a sua saída da TVI "havia esperança da Prisa retomar negociações com outras empresas, até com a Portugal Telecom (PT)".
Outro administrador, Miguel Gil, terá sintonizado Moniz de "pressões ao mais alto nível vindas de Espanha".
O antigo director-geral da TVI também recordou uma conversa com Bernardo Bairrão. "Chegou a dizer-me, completamente destroçado, depois de reuniões com Espanha, que os accionistas queriam o fim do jornal". Mas "Depois das eleições as coisas podem mudar", terá dito Bairrão a Moniz.
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