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Nuno Carvalho, director da Cisco Portugal, entrevistado por Madalena Queirós no programa Capital Humano.
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Portugal é o centro de muitas das operações desenvolvidas no Brasil e em África, o que garante que a Cisco vai continuar a crescer, revela Nuno Carvalho, director da Cisco Portugal.
É garantido que a Cisco vai continuar a crescer em Portugal. Uma evolução de contratações que dependerá do desenvolvimento de mercados como o Brasil e África, porque o centro de muitas das operações nestes países é a Cisco Portugal. A garantia é de Nuno Carvalho, director da Cisco Portugal, em entrevista ao programa Capital Humano do Económico TV (ETV). Certo é que o programa de estágios irá receber cerca de cem pessoas na Europa. Nuno Carvalho não tem dúvidas que continua a haver escassez de quadros nas áreas tecnológicas, mesmo na conjuntura actual.
O presidente da Cisco afirmou, recentemente, que vai expandir os investimentos em Portugal. O que é que isto pode significar?
Ainda não há factos concretos relativamente a quantas pessoas podemos contratar. Em 2007 tínhamos 40 pessoas e hoje já somos 250. O que essa entrevista do presidente da Cisco mostrou é que os factores de crescimento associados à expansão do investimento em Portugal vão continuar. Não sei se, este ano, vamos contratar dez ou 50 pessoas. Não depende só da evolução do mercado português. A forma como a Cisco foi montada em Portugal, torna o negócio tão atractivo, que muitos centros de suporte montados em Portugal estão a suportar operações em África ou no Brasil. O que faz com que o crescimento da operação em Portugal dependa da forma como o mercado brasileiro ou africano vão crescer. O que conta é a intenção manifestada de continuar a investir em Portugal. É seguro que a Cisco Portugal continue a ser um pólo prioritário de desenvolvimento da Cisco corporação.
Num ano de crise e de aumento de desemprego, sabem quantas pessoas poderão ser contratadas?
O ano de crise afecta Portugal. Mas muitos dos centros e colaboradores que trabalham em Portugal não são só para suportar a operação portuguesa, trabalham para outros mercados. Neste momento, estamos a recrutar pessoas para operações que estamos a desenvolver no Brasil ou em África ou em países emergentes que têm factores de crescimento acima dos 10%. No último ano, apesar da crise, não diminuímos os recursos, crescemos e vamos continuar a crescer ao ritmo do ano passado. Podemos recrutar dez ou 20 pessoas, de acordo com o potencial. Mas imagine que há um crescimento inesperado do mercado no Brasil, de um momento para o outro pode ser necessário recrutar cinco a dez pessoas.
Esta proximidade linguística ajuda a Cisco Portugal a funcionar para mercados de países de língua oficial portuguesa, como o Brasil?
A Cisco em Portugal é um factor de desenvolvimento e de mercado para os portugueses, mas não só. Temos 25 nacionalidades na Cisco Portugal. Pensámos, inicialmente, que iríamos desenvolver apenas o mercado de emprego para os portugueses. A Cisco é o primeiro emprego para 12% dos nossos colaboradores, enquanto 22% estavam desempregados. Mas temos muitas pessoas de outros países que escolhem Portugal, impelidas pela qualidade de trabalho que temos, mas também porque, a partir de Portugal, podem trabalhar para outros países, porque é aqui que está o centro da operação de suporte em operações que se desenvolvem mundialmente.
A relação com as universidades portuguesas é importante para a Cisco?
É fundamental. A média etária na Cisco é de 30 anos. São pessoas muito novas que fazem o nosso DNA, com capacidade de inovação e ideias diferentes. É inimaginável o número de ideias novas que nos são trazidas pelas pessoas que saem das universidades, que têm uma percepção da realidade completamente diferente de quem já está nas empresas e que faz com que pensemos de forma diferente. Estes programas com as universidades mais técnicas, mas não só (Instituto Superior Técnico, Universidades de Aveiro, Porto) são grandes pólos de captação de muitos e bons recursos.
Entrar na Cisco significa poder trabalhar noutros países?
Essa é uma das possibilidades que trabalhar numa multinacional como a Cisco nos abre. Através do programa Inov Contact, entram cerca de 20 estagiários que vão para a sede da Cisco em São Francisco, na Califórnia. Cerca de 10% ficam lá, as restantes ou vêm trabalhar para a Cisco Portugal ou para outras empresas que são nossas parceiras. É importante sublinhar que, mesmo com o mercado nas condições em que está, não existe excedente de qualificação nas áreas tecnológicas que estamos a desenvolver. A nível mundial, existe uma procura que é superior à oferta. Todas as pessoas que fazem este estágio na Cisco acabam, num prazo curto, por encontrar emprego na Cisco ou nas empresas do ecossistema da Cisco.
Quantas pessoas vão receber este ano nos programas de estágios?
Todos os anos, recebemos cerca de 100 estagiários a nível da Europa. Em Portugal, vamos ter também esse programa que pressupõe que quem entra vai fazer estágios nos centros tecnológicos que temos na Holanda ou na Bélgica, regressando nove meses depois e, com ajuda de ‘mentoring', é inserido no mercado de trabalho. Ao fim de um ano, ano e meio, ou ficam na Cisco ou estão preparadas para entrar no mercado de emprego. E ter estes estágios é muito valorizado no mercado.
Perfil: Um optimismo raro
Um optimismo raro nos tempos que correm. Um brilho nos olhos quando fala da Cisco Portugal, que agora dirige e onde trabalha há 14 anos. E um empenho no futuro do País, que diz ser obrigação quando se trabalha na Cisco, a empresa eleita como a melhor para trabalhar, no ano passado. São três facetas que saltam à vista quando falamos com Nuno Carvalho, director da Cisco Portugal. Depois de Carlos Brazão, promovido a responsável pelo Sector Público da Cisco na Europa, Médio Oriente, África e Rússia (EMEAR), é talvez o homem que melhor conhece a Cisco em Portugal. Nuno Ferraz de Carvalho exerceu anteriormente as funções de ‘Operations Director' para a área de Operadores de Telecomunicações, desde Dezembro de 2009. Para trás, fica um percurso profissional de cerca de 24 anos de experiência no mercado das tecnologias de informação e telecomunicações, tendo passado por empresas como a Anixter Portugal e a Olivetti portuguesa. Com 47 anos, é licenciado em Engenharia de Telecomunicações pelo Instituto Superior Técnico. Nas horas vagas, quando o vento sopra, o ‘windsurf' fala mais alto. E é na crista da onda na praia do Guincho que consegue a proeza de não pensar em mais nada.
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