O Grupo das 20 principais nações reúne as pessoas mais poderosas do planeta. O debate é intenso quanto aos países que devem e não devem ser representados.
Mas a cimeira da semana passada revelou-se quase risivelmente irrelevante para o futuro da economia global.
Teria preferido que esta cimeira dissesse à zona euro que tem que resolver a crise por si só, uma vez que tem capacidade financeira para tal. Mas o resultado desta cimeira deixa-nos no vazio, sem qualquer estratégia de resolução desta crise. Na década passada, o antigo Grupo dos Sete não conseguiu travar uma série de crises financeiras. E, nesta década, o G20 também não está a conseguir resolvê-las.
E assim como a zona euro é um microcosmos da economia global, um G20 disfuncional é um macrocosmos do Conselho Europeu. Os seus membros, os líderes da União Europeia, reúnem-se normalmente também para cimeiras de alto nível. E estão constantemente a prometer soluções abrangentes que depois não conseguem cumprir. Os paralelismos são espantosos.
Há quem cite a cimeira do G20 em Londres no ano de 2008 como um exemplo de boa coordenação. Mas esta cimeira foi sobretudo um exercício de relações públicas. Os EUA já tinham optado por estímulo discricionários, e os europeus apresentaram os seus próprios programas não discricionários para dar a ilusão de que tinham chegado a um acordo verdadeiramente importante.
Ouvindo as discussões sobre política económica no mais recente Simpósio Económico Global na cidade alemã de Kiel, fiquei espantado com a quantidade de falhas de coordenação numa série de áreas políticas. Está na moda atribuir as culpas pelos problemas à liderança. Mas não estão com isto a ir ao âmago da questão. A actual geração pode não ser particularmente impressionante - mas teria Gerhard Schröder gerido melhor as coisas do que a actual chanceler alemã Angela Merkel? E acham mesmo que com um presidente francês como François Hollande vai ser possível resolver a crise?
A minha própria interpretação é de que as várias crises globais exigem soluções fora do espaço político normal. Para resolver a crise da zona euro seria necessário um banco central que funcionasse como credor de ultimo recurso, um mercado obrigacionista europeu comum e, por fim, uma união orçamental com uma verdadeira integração do mercado laboral e de produtos. Mas estas medidas não estão em consonância com as constituições nacionais, com os tratados europeus e com as preferências políticas. O economista Paul Krugman chamou recentemente a atenção para o um problema com que nos deparamos, mais propriamente para o "Eurodiagama e para a intersecção zero entre soluções politicamente aceitáveis e soluções que permitem resolver a crise do euro.
Tradução de Carlos Tomé Sousa
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Wolfgang Münchau, Editor associado do "Financial Times"
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Ó Realista, só nao faz sentido para ti. Experimenta saber um pouquinho de Macroeconomia. Experimenta saber o que é o Modelo IS/LM, a teoria keynesiana, a liquidity trap, etc e tal... Até são modelos bastante simples, até ha quem os ache simplórios, mas olha : teem-se portado incrivelmente bem durante esta crise. Ahh, e se o Munchau é neoliberal, o Passos Coelho só pode ser fascista