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O episódio do feriado na terça-feira de Entrudo está a revelar uma autoridade de tipo carnavalesca em Portugal: o Governo manda e ninguém obedece.
Em primeiro lugar, parece que ninguém leva a sério o ganho com a laboração no dia 21 de Fevereiro. Em segundo lugar, ao anunciar a 3 de Fevereiro que não haveria tolerância de ponto a 21, o Governo terá acordado tarde. Depois, o episódio de desautorização do Governo - com bancos a dizer que fecham, Câmaras a replicarem que dão tolerância nos respetivos concelhos, escolas a revelar que se é para abrir, abrem, mas sem aulas nem atividades - confirma que o autoritarismo que toma decisões sem ouvir ninguém dá invariavelmente maus resultados. Ou, melhor dizendo, dão resultados carnavalescos, ou seja, que não são para levar a sério.
Ou então este é apenas mais um episódio da auto-afirmação do Governo de Portugal como mais papista que o Papa, mais troikista que a ‘troika'. Um governo que toma medidas para castigar o povo - os assalariados, os reformados, os doentes, os jovens - pelo que governos anteriores esbanjaram a encobrir delinquências financeiras, em fogo-de-vistas e em "boysada". E se os portugueses já receberam duros corretivos em matéria de cortes salariais, congelamentos de carreiras, facilidades de despedimentos, aumentos de impostos, aumentos de preços, com que direitos haveriam agora de ganhar o dia de Carnaval? Para se mascararem de remediados? Para gozarem com o Governo? Pois que gozem o Carnaval fora das horas de expediente, cada um em sua casa com a mulher e/ou marido mais os filhos.
Acontece, porém, que pelo andar da carruagem a terça-feira, dia 21 de Fevereiro, poderá não ser um autêntico feriado de verdadeiro Carnaval. Mas não deixará de ser uma cegada.
joaopaulo.guerra@economico.pt
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