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Santana Lopes defendeu, pela primeira vez, um governo de salvação nacional em Maio de 2009.
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Santana diz que Sócrates tem de mudar o discurso, Passos deve deixar cair a revisão constitucional e o Presidente promover um governo estável.
Santana Lopes diz que Cavaco tem a "obrigação patriótica" de sentar PS, PSD e CDS à mesma mesa para que formem, de imediato, um Governo de salvação nacional e seja aprovado um Orçamento para o próximo ano.
O país está mal ao ponto do FMI regressar?
Estamos a chegar a um ponto extremo e é cada vez mais incompreensível que não aconteça nada. Era útil termos um Governo de salvação nacional. Como sabe bem, desde Maio de 2009, que defendo essa solução.
Porquê?
Em 1983, numa situação parecida, era presidente da distrital de Lisboa e fiz a campanha em Lisboa com Mota Pinto, depois da queda do Governo de Balsemão. Ele disse-me que nunca faria um Governo de bloco central mas, pouco tempo depois, num Conselho Nacional do PSD, no Ritz, foi ao microfone dizer que estava obrigado a fazê-lo. Eurico de Melo também. Êrnani Lopes foi escolhido para ministro das Finanças e Cavaco teve a missão de acompanhar a execução do plano do FMI.
Porque se lembrou de 1983?
Actualmente é inevitável passar-se o mesmo. Custa-me compreender como é possível quem tem poder de decisão não forçar uma solução deste tipo.
Está a falar do Presidente e dos líderes do PSD e PS?
Sim.
Deviam sentar-se à mesa?
Tem de haver força política para se tomarem as medidas necessárias. Só um Governo de salvação nacional, dotado de apoio maioritário estável e sem querelas partidárias, pode dar o sinal indispensável para fora - mercados, instituições europeias, investidores, agências de ‘rating' - de que as medidas difíceis mas necessárias serão concretizadas. E, assim, inverter a trajectória perigosamente descendente que temos estado a seguir.
E tudo isso sem eleições?
Eleições? As pessoas não aguentam! Se formos para eleições mais vale fechar o país porque ninguém quer olhar cá para dentro, seria o Carnaval politicamente institucionalizado.
Defende um bloco central clássico com PS e PSD ou alargado?
Alargado. PCP e Bloco podem ficar de fora mas quanto maior for a base de apoio melhor.
Essa proposta é exequível?
Estamos em pré-campanha presidencial, o PSD quer ir para o Governo e o Governo dá sinais de fraqueza. Mas a verdade é que o país não aguenta outra solução!
Pode Cavaco em fim de mandato promover um novo Governo?
É uma obrigação patriótica.
Uma obrigação?
Mesmo! O país respiraria de tranquilidade com um Governo de salvação nacional. Todos assumem que ninguém paga a ninguém, estamos praticamente numa economia de trocas, todos dizem que só há liquidez quando houver um acerto das contas públicas, mas só haverá reequilíbrio orçamental com força política.
Cavaco, Sócrates e Passos têm discursos desligados da realidade?
O Presidente deveria chamar os partidos políticos a Belém.
Quais é o indicador que mais o preocupa: o endividamento e a dificuldade na colocação de dívida, o desemprego ou a instabilidade política?
Todos. Com todo o respeito pelo desemprego - que é dramático -, o mais preocupante, e que atingirá todos, é o aumento do peso da dívida que tudo asfixia e não sei onde parará. Alguém tem de dar um murro na mesa dizer: "Acabou isto. Hoje!".
De quem deve partir o murro na mesa?
Do Presidente. O primeiro-ministro também o pode fazer e ganharia o reconhecimento de todos se tivesse a humildade e a frontalidade de dizer: "Isto não vai lá assim".
Batemos no fundo?
Batemos.
É insensato esperarmos pelo resultado das presidenciais para obtermos uma solução de Governo mais estável?
É muito insensato. É com este poder político que se resolve isto? Qualquer pessoa dirá que é impossível, num Governo que não tem nem força, nem crédito político. Digo isto sem atacar o Governo, qualquer outro nestas circunstâncias estaria na mesma situação.
Cavaco, Sócrates e Passos estão à altura do desafio?
Espero que estejam e rapidamente. Ouvi Sócrates esta semana apresentar a agenda digital 2015 e lembrei-me de mim: é remar contra a corrente. É como a revisão constitucional do PSD. Não faz parte do registo actual. Não temos dinheiro, paciência e tempo para estes temas. Sou sensível ao esforço de puxar pelo país mas tudo tem limites. Precisamos do discurso da realidade.
Passos Coelho deveria abandonar a revisão constitucional?
Deveria dizer "isto segue dentro de momentos". É como Carlos Queirós que tirou Hugo Almeida no mundial, contra a Espanha, e disse que "já estava programado". Se já estava programado deixou de estar porque o país agora não pode!
Portas antes do Verão propôs que Sócrates saísse e que um novo primeiro-ministro do PS governasse com PSD e CDS. Faz sentido?
Foi uma jogada política no meio de uma proposta nacional.
Devemos ter um Governo de salvação nacional antes do Orçamento de 2011 ser aprovado?
O próximo OE deve ser feito por um Governo de salvação nacional. Seria um alívio porque todos sentimos que vai ser um sarilho mantermos um Governo minoritário. Deveríamos tratar do país antes de tratarmos das presidenciais.
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