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O Presidente da República manifestou-se hoje incrédulo perante a sugestão da ‘troika' de reduções salariais no sector privado.
Cavaco Silva defendeu que a competitividade deve basear-se em factores como a capacidade de inovação ou qualificação de recursos humanos.
"Não me parece um caminho correcto de forma nenhuma. Até me custa a crer que seja uma recomendação firme, feita às autoridades portuguesas. Ainda não tive oportunidade de falar com o senhor primeiro-ministro e, por isso, tenho apenas a informação que li num comunicado que foi produzido", afirmou Cavaco Silva aos jornalistas.
À margem de uma iniciativa sobre empreendedorismo na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o Chefe de Estado começou por dizer que, de acordo com o modelo económico português, "o poder político não tem competência para determinar directamente os salários praticados no sector privado".
"Se pensavam no aumento de competitividade, então eu direi que é muito melhor seguir outras vias: o reforço da nossa capacidade de inovação, a qualificação dos recursos humanos, a melhor ligação entre a produção científica e as empresas, a marca, o marketing, a qualidade e muitos outros factores", defendeu.
"Salários baixos existem em muitos outros países em que eles são muito mais baixos que em Portugal", sublinhou o Presidente. A 'troika' defendeu na quarta-feira que o sector privado deve seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções salariais, "a fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra", conforme consta do comunicado da missão conjunta da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.
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