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Tentar controlar os media é “uma tentação inescapável” para os sucessivos governos, dizem críticos.
A polémica em torno do fim do programa "Este Tempo", na Antena 1 (RDP), precipitou o regresso das discussões sobre pressão política e auto-censura no jornalismo. Na agenda da comissão de Ética está prevista, para amanhã, a audição do director de informação demissionário da RDP, João Barreiros, que assumiu, no final da semana passada, total responsabilidade pelo fim do programa. No entanto, o novo caso parece reavivar memórias de velhas tentações a que nenhum governo parece conseguir - ou querer - escapar.
Para Eduardo Cintra Torres, ex-membro do grupo de trabalho sobre o serviço público, "a intervenção política foi e é evidente." E esta tendência "vai continuar enquanto o Estado tiver órgãos de informação."
"O sistema político não reage. Luís Marinho é uma indicação do Ministro Miguel Relvas para um cargo que não existe na lei. Como não há pudor, tem de ser a sociedade civil e os órgãos privados a agirem", admite.
Para o crítico de televisão, "há sempre uma relação entre colaboradores e empresa, mas na informação esta relação é mais melindrosa, tem regras próprias: neste caso complica-se porque o patrão é o Estado. Vemos a repetição do mesmo filme, governo após governo, quando dizem que defendem a independência e depois é o que se vê", acusa.
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