Nenhum soldado é de chumbo. O que significa que nenhum elemento do Exército, da Marinha ou da Força Aérea, seja qual for a sua patente, tem de ter a sensibilidade de um chaimite – sem emoções, convicções pessoais ou opções políticas.
Mas quando se organizam para escrever uma carta a um ministro, para reclamar das mesmas medidas hostis a que outros profissionais se têm de sujeitar, já estão a testar a paciência dos portugueses - e essa já não é de ferro. E do que se queixam os militares? Do congelamento de promoções, da redução de efectivos, do corte de despesas, do aumento de preços e taxas, do alto nível de exigências sem contrapartidas. Uma lista de queixas a que se juntam sentimentos de desmotivação e insegurança. Senhores militares, sejam então bem vindos ao Portugal da austeridade. O mesmo país onde todos os dias há portugueses que deixaram de sonhar com progressões de carreira, porque perderam os seus empregos, que vêem cortados os salários, pensões e subsídios, que encolhem as despesas para não perderem a casa ou o acesso ao médico, que pagam cada vez mais impostos para compensar as perdas geradas pelas asneiras de outros governos. Nada disto foi pedido pelos portugueses, mas nenhum consegue escapar. Por que deveriam então os senhores militares ser excepção num momento de emergência nacional? A função de um militar é mais relevante para um país que a de um médico, um professor ou um polícia? Provavelmente, não. E o que são hoje as Forças Armadas? Uma máquina sobredimensionada, que devora dinheiros públicos para que muitas pessoas possam simular guerras em tempos de paz e à sombra da qual vai aparecendo uma ou outra figura, protegida pela patente, com ameaças de golpes e outros fogos de artifício. Faz sentido manter uma máquina tão grande e gulosa quando um país tão pequeno já integra uma série de organismos internacionais que lhe garantem apoio e protecção? Os senhores militares, claro, discordam desta ideia. É normal: perder dimensão e regalias dói sempre. Mas deviam lembrar-se da sua missão: defender a pátria dos inimigos. A pátria, essa "causa maior", escreveram na carta ao ministro da Defesa, em jeito de estalo em defesa da honra. Pois bem, a pátria que juraram defender são todos os portugueses, todos os cidadãos que os militares também reclamam ser, mas que não hesitam em atacar. A diferença é que nem todos podem puxar dos galões para reclamar excepções.
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Helena Cristina Coelho, Subdirectora
helena.coelho@economico.pt
Comentários (3)
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Acções do PSI 20





esta carta é muito gira muito bem escrita!!!! mas não tem em conta uma coisa muito séria. houve em tempos um filósofo chines que escreveu um livro chamado "a arte da guerra" e que tem muitos e bons conselhos!!!!!!!!!!!! um dos quais diz que o poder está na ponta de uma espada!!! é perigoso pôr uma pessoa que tem o dedo no gatilho em posição d+ebil economicamente. sabe porque senhora jornalista??? porque ele pode premir o gatilho!!! em desespero bem entendido!!!depois do gatilho premido não á volta a dar................lá se vai a jornalista, o pc, a profissao e a ................pessoa!!!!!!!!!!!! é esta a diferença para os outros cidadaos!!!!!!!!!!!!!!!passe bem