Os últimos dados relativos às exportações e importações portuguesas, referentes aos três meses de Novembro de 2008 a Janeiro de 2009, revelam uma quebra de grande dimensão relativamente ao período homólogo terminado em Janeiro de 2008.
As exportações reduziram-se 19,4% e as importações 15,6% Trata-se de uma redução fortíssima, mas nem por isso totalmente inesperada.
De facto, numa crise da dimensão da actual, o comércio mundial é o principal afectado, e daí que, em praticamente todos os países, se estejam a registar quebras brutais nas exportações e importações. Aliás, uma boa parte das importações está ligada às exportações.
A questão que se pode pôr é, naturalmente, a de saber quais os efeitos desta quebra tão profunda do comércio externo sobre a situação da nossa economia. O primeiro efeito que se poderia eventualmente apontar seria o agravamento do nosso défice com o exterior.
Como se sabe, o défice estrutural da economia portuguesa face ao exterior é porventura o problema mais grave que, em circunstâncias normais, a nossa economia enfrenta. Mas na situação actual este efeito não parece ser tão significativo. Pelo contrário, o facto das importações terem descido a um ritmo relativamente próximo do das exportações e sendo o valor destas significativamente inferior ao daquelas, leva a que, com quebras desta ordem de grandeza o défice comercial não aumente, antes tenha tendência a diminuir - como de facto sucedeu no período que estamos a tratar.
Por consequência, o efeito negativo da quebra das exportações e das importações não é o agravamento do défice. É outro e muito grave. Tem a ver com o emprego. A quebra das exportações vai ter como efeito imediato e directo o aumento do desemprego no sector exportador e, indirectamente, sobre os sectores produtores de matérias-primas e produtos intermédios que são utilizados pelo sector exportador. Se o ritmo da queda registada no período em causa se mantivesse ao longo de todo ao ano, o efeito negativo sobre o PIB seria provocar uma queda de cerca de 3% neste e o consequente aumento do desemprego. Não será, provavelmente, assim. Mas a evolução que se está a registar no nosso comércio externo e que, repito não é surpreendente, confirma a justeza da política económica - em particular a política orçamental - dar, no imediato, prioridade ao impulso à procura interna para compensar a quebra da procura externa. Nas circunstâncias actuais tal não provocará um aumento descontrolado do défice externo (embora nos tenhamos de preparar para algum agravamento) e evitará talvez um aumento, esse sim, descontrolado do desemprego. Ao mesmo tempo haverá que sustentar as empresas de exportações que necessitem de apoio de modo a que não percamos capacidade exportadora e possamos responder à recuperação que, mais cedo ou mais tarde, virá aí.
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João Ferreira do Amaral, Professor universitário
Comentários (1)
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Aqui um articulista ,
que nos fala bem e duma forma clara sobre o que se está a passar. Parabéns