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Presidente da CGD disse hoje que a CGD tem direito de preferência sobre as acções da Votorantim na Cimpor mas não tenciona exercê-lo.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) tem direito de preferência sobre as acções detidas pela empresa brasileira Votorantim na cimenteira Cimpor, mas não tenciona exercê-lo, disse hoje o presidente executivo do banco público, José de Matos.
Numa audiência perante a comissão parlamentar da Economia, Matos e o presidente do conselho de administração da CGD, Fernando Faria de Oliveira, foram questionados por deputados sobre a posição da Caixa quanto à oferta pública de aquisição (OPA) da Camargo Corrêa sobre a Cimpor.
Basílio Horta, deputado do PS, perguntou aos dirigentes da CGD sobre"a relação da Caixa com a Votorantim". A brasileira Votorantim tem 21,1% do capital da Cimpor, e é o segundo maior accionista da cimenteira, a seguir à também brasileira Camargo Corrêa (que tem já 32,9%).
"Há ou não um direito de preferência [da CGD sobre as acções da Votorantim na Cimpor]? Existe ou não? E, se existe, porque não foi exercido?", perguntou Basílio Horta.
"Esse é um cenário tão hipotético, tão fora da nossa realidade, que não se pôs o problema, não houve nenhuma circunstância em que fossemos procurados pela Votorantim para exercer o direito de preferência", respondeu José de Matos.
O deputado do PS insistiu, perguntando se a CGD tem direito de preferência. O presidente da Caixa respondeu que sim, "tal como a Votorantim tem direito de preferência" sobre as acções da Caixa na Cimpor.
José de Matos acrescentou que não faria sentido exercer esse direito, contudo, visto que a CGD está neste momento concentrada em vender os seus activos não-estratégicos (o banco público está obrigado a isso pelo memorando de entendimento assinado com a 'troika').
"Seria contraditório com a orientação estratégica" da CGD, disse Matos aos deputados.
A Camargo Corrêa lançou no final de Março uma OPA sobre a Cimpor através da sua subsidiária InterCement, oferecendo 5,5 euros por acção.
A administração da Cimpor considerou o valor baixo, mas a CGD aceitou vender a sua participação de 9,58 por cento na cimenteira.
Outros accionistas, como o empresário Manuel Fino (que é dono de 9,84 por cento da Cimpor), já disseram não querer vender.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) determinou que a OPA decorrerá até à próxima terça-feira.
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