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Presidente do Caixa BI traça quadro das próximas vendas.
Depois do sucesso das vendas recentes de REN e EDP, o plano de privatizações que se segue é claramente menos ‘sexy'. Ainda assim, o Caixa Banco de Investimento - que assessorou o Estado português nas últimas operações - acredita que há activos com potencial para despertar o interesse dos investidores internacionais. Com a ANA à cabeça.
"A ANA é um activo muito interessante. Acreditamos que haverá vários candidatos", afirmou ontem o presidente executivo do Caixa BI, Jorge Cardoso, num encontro com jornalistas. Este foi, claramente, o activo destacado pelo especialista, sendo que a TAP não lhe parece suscitar o mesmo entusiasmo. "A TAP tem rotas interessantes mas tem alguns desafios", defendeu, admitindo que "será uma privatização um pouco mais desafiante". O responsável não se quis alongar nas eventuais debilidades da TAP, mas a operação no Brasil continua a gerar preocupação no âmbito das contas do grupo.
Agora que a maioria do capital da Groundforce foi vendida à Urbanos, resta a operação de Manutenção e Engenharia para pressionar as contas da companhia aérea. A ex-VEM acumula prejuízos desde 2007, altura em que foi comprada. E nos primeiros nove meses do ano passado terá tido perdas na ordem dos 45,7 milhões de euros, com um agravamento de 18,4% face ao ano anterior.
REN e EDP foram privatizações que deram um encaixe significativo ao Estado, com Jorge Cardoso a salientar o "grande acompanhamento" do Executivo nestes processos, mesmo a um nível de análise técnica das propostas. Ainda assim, dificilmente se repetirão muitas operações como estas, com vendas conseguidas com um prémio de preço muito elevado, no curto prazo. "O objectivo é, naturalmente, manter a performance para as privatizações que aí vêm, mas os activos são diferentes e é difícil conseguir prémios tão elevados como foi conseguido nas operações da EDP e da REN", justifica o responsável.
Na calha estão empresas como os CTT, ANA, TAP, CP Carga, as actividades de seguros e saúde da Caixa Geral de Depósitos e activos da Águas de Portugal.
Internacionalizar é aposta
A este ritmo, as privatizações vão necessariamente acabar um dia e o mercado português promete estar deprimido nos próximos anos. Por isso, a palavra de ordem do banco de investimento da Caixa é ir lá para fora. "Estamos muito conscientes disso. É, por isso, que estamos a apostar na internacionalização, tirando partido da rede de contactos que temos feito" ao longo dos anos.
Tendo como rival doméstico o BES Investimento - que protagonizou os negócios de EDP e REN do lado dos compradores -, o Caixa BI nem sempre goza da mesma visibilidade que o concorrente. Daí que tenha decidido mostrar os números, anunciando a liderança no ‘ranking' nacional de assessoria financeira em fusões e aquisições por montante de negócios, neste caso 13,1 mil milhões de euros. Já no Brasil, divulga a instituição, ficou no 13º posto, com operações de 17,8 mil milhões de euros, destacando-se a entrada da Sinopec na Petrogal Brasil e o projecto Embraport. Ainda no Brasil, estará para breve a compra, ao Banif, da corretora CVC, negócio anunciado em Junho de 2010 mas por concluir.
O Caixa BI centra-se no triângulo Europa (Portugal e Espanha), América do Sul (Brasil) e África lusófona (Moçambique e Angola). Neste último mercado opera directamente, já que a parceria entre CGD e Sonangol para a criação de um grande banco de investimento não saiu do papel.
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