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Sindicatos bancários anunciaram aos seus associados que a administração da Caixa aceitou algumas reivindicações para responder ao corte de subsídios.
"Valeu a pena protestar". É desta forma que os sindicatos dos bancários da Febase (Federação do Sector Financeiro) anunciam hoje que a administração da CGD deu luz verde para a aplicação das promoções por mérito (que estavam suspensas), bem como para a abertura de uma linha de crédito no valor de 10% do rendimento bruto auferido em 2010 pelo trabalhador, com uma carência de capital durante dois anos e pelo prazo de seis.
Contactada, fonte oficial da CGD não comentou, até ao momento, o anúncio dos sindicatos da aplicação de soluções alternativas aos cortes do subsídio de Férias e de Natal.
As soluções apresentadas pelo grupo financeiro estatal surgem depois da contestação aos cortes do 13º e 14º meses que levou, na quarta-feira passada, à concentração de mais de três mil trabalhadores e reformados do banco, junto à sede em Lisboa.
"Foi dada a garantia pela administração da CGD que vai aplicar as promoções por mérito e abrir uma linha de crédito no valor de 10% do rendimento de 2010 do trabalhador, com uma taxa de juro mais favorável, uma carência de capital durante dois anos e pelo prazo de seis anos", revelou ao Económico Rui Riso, presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI).
O responsável sindical adianta que as promoções por mérito "poderão ser aplicadas a todo o universo de trabalhadores da Caixa até ao nível 10, se o banco assim o entender (e não só aos trabalhadores sindicalizados), podendo abranger 15% dos trabalhadores até ao nível 10, que é o que resulta da contratação colectiva". Segundo o Acordo de Empresa da CGD, o número das promoções por mérito será de 15% do total dos trabalhadores que, a 31 de Dezembro do ano anterior, integrassem os escalões remuneratórios até 1.550 euros no escalão A ou 1.629,5 euros no escalão B, ambos do nível 10.
A aplicação das propostas apresentadas pela Febase, surge após a concentração de protesto de trabalhadores e reformados do Grupo CGD na quarta-feira passada e visa minimizar os prejuízos causados pelo corte dos 13.º e 14.º meses. "Procurámos minimizar as medidas gravosas para os trabalhadores e tem-se conseguido resultados que procuram amenizar esses cortes com soluções alternativas", acrescenta Rui Rio, realçando esperar que "corra tudo como o previsto e não haja inflexões".
A Febase (que agrega SBSI, SBN, SBC, STAS e SISEP, Sindicatos representativos no Grupo CGD) reuniu-se sexta-feira, dia 20, com a administração da Caixa, que se comprometeu a continuar a estudar algumas soluções com o objectivo de "minimizarem as dificuldades que o corte não expectável dos 13º e 14º meses implicam na vida dos trabalhadores".
Para os sindicatos da Febase estas soluções são "a demonstração de que vale a pena os trabalhadores não baixarem os braços e expressarem o seu descontentamento apoiando os Sindicatos nas iniciativas desencadeadas, como aconteceu na grande concentração de dia 25 - e da qual o STEC se excluiu".
Apesar de se congratular com esta evolução positiva, a Febase deixa claro que as medidas agora anunciadas representam "muito pouco face aos sacrifícios impostos e mais não são do que o cumprimento do Acordo de Empresa (AE), unilateralmente suspenso pela administração da Caixa".
Além disso, frisa o SBSI, estas medidas "em nada beneficiam os trabalhadores em situação de reforma, a quem foi já retirado o subsídio de férias - e pretendem fazer o mesmo ao de Natal".
Sindicatos avançam com processos judiciais
A Febase salienta ainda mantém a sua total oposição às medidas do Orçamento do Estado para 2012 aplicadas no Grupo CGD, pelo que os serviços jurídicos dos seus Sindicatos estão já a ultimar os respectivos processos judiciais.
"Vão dar entrada nos tribunais quatro tipo de acções, de forma a abranger todas as situações: trabalhadores com contrato de provimento; com contrato individual de trabalho; pensionistas da CGD, e reformados do ex-BNU", informa o SBSI.
Três mil junto à sede
A Febase dá ainda conta da "grande adesão" à concentração contra corte de subsídios no Grupo CGD. Cerca de três mil trabalhadores e reformados do Grupo CGD participaram na concentração de protesto pelo corte dos subsídios de férias e de Natal, que se realizou, na quarta-feira, junto à porta principal do edifício sede da Caixa, em Lisboa.
"Cerca de três mil bancários dos serviços centrais e de muitos balcões, trabalhadores dos seguros e reformados passaram pelo local da concentração de protesto, junto à porta principal do edifício sede da Caixa na Av. João XXI, em Lisboa para mostrar a sua indignação pelas dificuldades que lhes estão a ser impostas, nomeadamente com o corte dos 13.º e 14.º meses", aponta o SBSI.
Os Sindicatos da Febase congratulam-se pela forte adesão dos trabalhadores e reformados do Grupo, que "apesar de alguma falta de unidade sindical responderam com a sua presença ao apelo lançado para demonstrarem a sua indignação e firme vontade de defender os seus direitos".
Recorde-se que idêntica concentração decorreu no Porto, no mesmo período horário, frente à porta principal da agência central da CGD na cidade, na Av. Dos Aliados.
A data do protesto recaiu sobre o dia 25, pela proximidade do dia de pagamento do subsídio de férias no Grupo CGD.
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