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Nos mercados financeiros, 2011 foi um ano a marcar passo. Em muitos casos, no final do ano chegou-se a valores registados no passado, num nítido retrocesso ao que já tinha sido alcançado.
Por outro lado, não se confirmaram as expectativas mais positivas com que se iniciou o ano que agora termina. Neste cenário pode-se enquadrar a performance bolsista, que viu contrariada a tendência de subida inicial dos índices; o câmbio âncora que, numa situação de alta volatilidade, fecha o ano nos valores de início, corrigindo os excessos de perda de valor do dólar para o euro; a taxa fixa que manteve sempre, com maior ou menor intensidade, a procura para refúgio dos capitais, implicando a cristalização de yields consideradas benchmark de maiores maturidades em patamares mínimos; os preços da generalidade das commodities a convergirem para níveis mais equilibrados.
De facto, se olharmos para as Bolsas, a sua performance foi decepcionante. No caso americano, os índices DJI, S&P 500 e NASDAQ estão a fechar o ano com uma evolução acumulada de +5%, -1% e -3%, respectivamente, quando em Outubro chegaram a perder perto de 15% (houve uma recuperação na recta final). As menores tensões em redor da crise da dívida soberana europeia, que impôs austeridade generalizada, e uma economia norte-americana com sinais de crescimento mais dinâmico em comparação com os parceiros europeus, a braços com fortes abrandamentos, fizeram regressar os investimentos. Na Europa, a fuga aos activos de maior risco foi bem mais expressiva: o DAX alemão e o CAC 40 francês fecham o ano com quebras de 16% e 20%, respectivamente (em Setembro chegaram a verificar perdas de 28% e 30%). Na Península Ibérica, IBEX 35 e PSI 20 acumulam quebras anuais de 15% e 28%, respectivamente.
No EUR/USD, o câmbio actual é praticamente idêntico ao verificado nos primeiros dias de Janeiro. No dia 10 de Janeiro foi registado um valor mínimo, 1.2871, quando muito recentemente se chegou a 1.2856. Pelo caminho, o euro chegou a valer 1.49 dólares, em consequência de uma política monetária norte-americana fortemente expansionista, com o sistema inundado de liquidez. Mais recentemente, o valor do euro começou a reflectir a sua própria crise.
No mercado de futuros de taxa fixa, concretamente de Treasuries e Bunds a 10 anos, os preços praticados continuam muito próximo dos valores máximos alcançados ao longo dos últimos 4 meses, espelhando a importante procura que se foi mantendo ao longo desse período. Este facto obrigou que as respectivas taxas de rendibilidade não deixassem de permanecer em patamares mínimos (ambas entre 1.70% e 1.90%).
Já no caso da dívida soberana europeia dos Estados não considerados de referência, as taxas de juro praticadas no mercado secundário continuam elevadas, embora tivessem recentemente mostrado um certo aliviar da pressão sentida. Nos últimos dias, as atenções têm-se centrado na situação de Itália, terceira maior economia da Zona Euro. O último leilão de obrigações a 10 anos acabou por não correr bem: foram colocados 7 mil milhões de euros, menos do que os 8.5 mil milhões esperados, com a taxa média a baixar para 6.98%. Embora o prémio exigido pelos investidores tenha baixado, este valor é considerado incomportável. Em consequência, os juros da dívida italiana de longo prazo voltaram a subir acima dos 7%, nível a partir do qual Grécia, Irlanda e Portugal foram obrigados a pedir ajuda.
Entretanto, importa destacar um indicador da manutenção da falta de confiança nos mercados monetários. Depois do Banco Central Europeu (BCE) ter feito uma inédita injecção de liquidez a 3 anos, cerca de 490 mil milhões de euros, os bancos foram colocar perto de 412 mil milhões em depósitos junto da autoridade monetária. Este facto mostra que nada se alterou em termos da confiança entre as instituições financeiras, que deixaram de fazer operações entre si, e igualmente o descrédito em relação à evolução da crise da dívida soberana europeia. Relativamente ao primeiro aspecto, acrescente-se que os bancos querem defender a todo o custo a sua autonomia financeira, pretendendo assegurar liquidez suficiente para enfrentar o futuro que não deixou de ser incerto.
Últimas palavras para alguns aspectos a reter: o crescimento anual do agregado monetário M3 da Zona Euro voltou a cair, tendo-se situado nos 2.0% em Novembro (2.6% em Outubro), dando indicação de que não será pela situação deste importante indicador da massa monetária que o BCE deixará de regressar à descida das suas taxas de juro de referência; os dados PMI (Purchasing Management Index) dos EUA voltaram a confirmar uma recuperação do ambiente económico; a Administração Obama tornou a pedir o aumento do tecto de endividamento dos EUA, actualmente em 15.1 biliões de dólares.
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