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Miguel Cadilhe acredita que a recessão será mais profunda do que o que prevê o Governo.
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Só as reformas estruturais permitem um corte profundo na despesa do Estado, diz Cadilhe.
Apesar de admitir a eventualidade da falta de tempo para a realização do Orçamento do Estado para 2012, o antigo ministro das Finanças social-democrata Miguel Cadilhe teceu várias críticas ao documento, que se encontra em votação nas especialidades. "Pensei que o Governo trouxesse reformas estruturais do Estado, mas não foi assim", disse, à margem de um colóquio organizado na Universidade Católica.
Cadilhe lembrou que só as reformas estruturais permitem um corte profundo na despesa do Estado. E recordou também que são essas reformas que vão, ou não, permitir que cortes extraordinários - como são os dos dois subsídios à função pública e aos pensionistas não passem precisamente disso: de cortes extraordinários. Para o antigo ministro de Cavaco Silva as reformas estruturais que espera serem efectuadas o mais brevemente possível são "as dos regimes legais e financeiros", nomeadamente, ao nível dos "serviços públicos, e uma maior disciplina das empresas públicas". Mas, como para 2012 o País ainda não tem inscritas essas reformas no Orçamento do Estado, Miguel Cadilhe parece duvidar da possibilidade da sua execução a 100%.
Neste quadro, Cadilhe adiantou que duvida que a contracção da economia seja de 3,2% no final de 2012 - uma estimativa da OCDE mais negativa que a do Estado, que não vai além dos -2,8%. "Não vamos ficar por aí", disse, como também não acredita que o nível de desemprego se fixe nos 14%.
Mais positivo - e aí parece residir a única esperança de Cadilhe na proposta apresentada pelo Governo do seu partido, é o saldo primário - positivo em 0,7%. Mas, ressalva, é o lado positivo que pode ser colocado em causa se a economia real funcionar pior que o que está previsto. Cadilhe lembrou ainda a necessidade de fazer passar os investimentos do Estado pelo crivo da análise do custo/benefício. Se isso tivesse sido feito, os submarinos nunca teriam sido comprados e, muito provavelmente, a Expo 98 nunca se teria realizado.
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