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O colossal esforço orçamental dos Estados para restabelecer o sistema financeiro tem-se revelado incapaz de desbloquear os mecanismos de crédito imprescindíveis ao regular funcionamento das economias modernas.
O espectro da excessiva intervenção pública suscitou modelos híbridos de resgate das instituições financeira, cuja eficácia tem vindo a ser questionada por vozes tão influentes quanto as de Joseph E. Stiglitz e Martin Wolf. De resto, os pruridos dos governos em intervir de forma mais robusta no sistema financeiro parecem até impacientar o FMI que, num relatório, divulgado há duas semanas, chega ao ponto de pedir aos países da zona euro uma maior celeridade nas nacionalizações dos bancos em dificuldades - "se necessário, através de uma revisão do enquadramento legal existente".
Neste momento, o desafio já não é salvar bancos da bancarrota, mas sim evitar que estes fiquem na letargia.
Pior do que bancos falidos, são os bancos-fantasma. Instituições que tendo sobrevivido ao choque sistémico que abalou a economia mundial, estão agora moribundos e incapazes de garantir aquela que é a sua função prioritária: conceder crédito às empresas e aos particulares, enfim, financiar o crescimento económico.
Os bancos ‘zombies' movem-se em ambientes de opacidade, onde se desconhece a real situação das instituições. Compreensivelmente, resistem em anunciar as verdadeiras perdas que acumulam nos seus balanços, adiando o embate com os investidores e os mercados, mas prolongando também o estrangulamento do crédito e a agonia das economias.
Cientes disso, as autoridades supervisoras têm insistido na realização dos chamados ‘stress tests' para aferir a capacidade financeira dos bancos, mas muitos são os que duvidam da profundidade destes exames. Um analista, citado pelo The Wall Street Journal, lembrava, em Maio, que caso a Fed (criticada por ter cedido às pressões dos grandes bancos norte-americanos) tivesse usado critérios mais apertados - designadamente, contabilizando as perdas não realizadas -, o buraco financeiro das 19 instituições analisadas teria sido 69 mil milhões de dólares mais fundo.
Em nome da confiança no sistema financeiro, governos e autoridades supervisoras têm de actuar depressa e sem complacências. Antes que seja tarde e antes que se vejam reduzidos ao triste papel de caça bancos-fantasmas, tarefa inglória que, como atesta a experiência japonesa dos anos 90, pode arrastar-se por mais de uma década, com severas consequências económicas e sociais.
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Manuel Esteves, Editor de Economia
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O problema dos bancos nos EUA, no UK e na zona euro está muito longe de estar resolvido. E o que assusta é a dimensão do problema. Há dias li, creio que foi o FMI que o referiu, que o PIB alemão era insuficiente para sanear todos os bancos europeus. Isto significa que o endividamento dos estados ainda vai crescer mais. A the economist prevê que a dívida dos 10 paises mais desenvolvidos possa chegar nos próximos anos a 114% do PIB. O nosso sistema bancário também não está bem. Estou convencido que as fusões estão aí ao virar da esquina. Mas (nem tudo é mau, como os neolibs querem fazer crer) os nossos bancos não têm o problema dos activos tóxicos. Nós podemos recomeçar a pensar no deficit e na dívida, o qoe não tem nada a ver com os investimentos públicos.