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Crise

Bruxelas força Portugal a manter défice apesar da recessão de 3,3%

Luís Rego em Bruxelas  
24/02/12 07:53

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Maio é a próxima oportunidade para rever o programa. Tudo depende da sua execução, da dureza da recessão, do défice espanhol, da Grécia, e da vontade do Governo.

Bruxelas não vê motivos para rever as metas orçamentais do programa português, apesar de ter previsto ontem que o país vai mergulhar numa recessão mais profunda este ano: -3,3%, pior que esperava o Governo e Banco de Portugal. A porta não está totalmente fechada mas as condições não estão reunidas para rever os prazos e condições do memorando de entendimento da ‘troika' que, por sua vez, conclui na próxima semana a terceira avaliação da execução do programa em Lisboa. O impasse político na UE e as dúvidas sobre o crescimento português em 2013 atiram para Maio a próxima oportunidade de rever o programa.

No plano político, elementos como o aumento do fundo de resgate, a revisão dos prazos de redução do défice espanhol e a conclusão do segundo resgate à Grécia, são condições essenciais para colocar na mesa uma eventual flexibilização dos prazos do programa, apurou o Diário Económico junto de vários responsáveis europeus.

No plano económico, não é claro em Bruxelas que Portugal precise. As previsões intercalares de Bruxelas para o PIB português apontam para o final da recessão técnica no final deste ano, com o último trimestre em estagnação, depois de oito trimestres de destruição de riqueza. Os primeiros três meses do ano são, segundo a Comissão, o pico negativo da crise. Mas, em termos anuais, Portugal é o segundo pior da zona euro este ano, apenas melhor que a Grécia (-4,4%), contra uma "recessão moderada" na zona euro: 0,3%.

O comissário Olli Rehn não se deixa impressionar por estes dados, nem sequer com uma revisão à baixa de 1,7 pontos nas previsões para Espanha, que procura uma flexibilidade na meta de 4,4% de défice para este ano, depois dos 8% que calcula terem sido registados em 2011. E assim descarta qualquer revisão do programa, lembrando inclusive que os ministros das Finanças pediram esta semana a Portugal que "respeite as metas acordadas no memorando de entendimento de forma atempada".


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