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Barroso quer aproveitar a polémica no Barclays para reforçar a regulação bancária europeia.
Os dirigentes europeus aproveitaram o caso de manipulação das taxas de juro interbancária Libor, revelado no Reino Unido para acusar os bancos europeus de nada terem aprendido com a crise. Porém, a origem destas práticas vem já de 2005, antes do eclodir da crise, e continuou para lá do aperto da regulação europeia, em 2009. Há já nove meses que Bruxelas tem em marcha uma investigação para averiguar se houve também manipulação à Euribor (taxa de referência na zona euro) e voltou a indicar que, apesar do processo estar em ‘alta prioridade', não sabe quando estará pronto.
Em Estrasburgo, segundo a Lusa, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse que "alguns bancos" têm ainda que aprender a lição da crise e deixar de manipular os mercados enquanto Bruxelas deve prosseguir esforços de regulação. "Alguns dos principais bancos do mundo continuam a conhecer práticas de manipulação de mercado, o que é muito grave. Isto mostra que, no sector financeiro, ainda nem todos aprenderam as lições da crise que passámos", disse Durão Barroso, após o discurso no Parlamento Europeu. A resposta europeia, explicou, deve ser a de um reforço da regulação. Uma declaração que é partilhada por Herman Van Rompuy, o presidente do Conselho.
Para este efeito, a Comissão Europeia está a preparar uma série de recomendações - que irá apresentar até ao fim do ano - no sentido do reforço da supervisão do sector bancário ao nível europeu. A ideia da criação de um sistema comunitário de supervisão à banca recebeu já ‘luz verde' por parte dos chefes de Estado e Governo da União Europeia, durante a cimeirarealizada no final do mês passado, estando ainda por determinar os moldes exactos em que este será aplicado. Uma das possibilidades seria um reforço dos poderes da Autoridade Bancária Europeia, mas altos responsáveis europeus têm-se mostrado mais favoráveis à criação de uma entidade única de supervisão, que poderá operar em conjunto ou separadamente do Banco Central Europeu (BCE). "Necessitamos de medidas mais específicas para criar uma maior integração bancária e orçamental. Os desenvolvimentos mais recentes demonstraram que é necessário levar a União Monetária para um novo patamar", afirmou o presidente da Comissão.
A polémica que está a abalar os bancos está relacionado com o apuramento do valor taxa de juro interbancária Libor. Esta é determinada pela média dos juros cobrados pelas instituições financeiras para empréstimos entre si, e pode ser facilmente influenciada, dependendo dos valores fornecidos pelos bancos à autoridade reguladora. Como a Libor não estava sujeita a regulação nem ao mercado livre, encontrava-se à mercê de interferências como as que foram feitas pelo Barclays, segundo a investigação que foi esta semana revelada. "É a razão pela qual é necessário continuar com os nossos esforços de regulação e de supervisão adequada do sector financeiro", sublinhou Barroso.
A Libor e a Euribor são as bases para as taxas de juro que vigoram no mercado hipotecário e no mercado de derivados. A investigação determinou que o Barclays acertava com outros bancos valores mais baixos dos que eram pagos.
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