Mercados

14/05/12 16:45

Bolsas tombam 2%, euro soma dez quedas em onze dias

António Sarmento

PSI 20 fechou em mínimos desde 1996. Os receios de que Atenas saia do euro empurrou hoje os mercados para quedas avultadas.

Bolsas tombam 2%, euro soma dez quedas em onze dias

O PSI 20, principal índice da Euronext Lisbon, fechou a sessão a perder 1,94%, cotando nos 5.078,60 pontos. A praça lisboeta, quenõa fechava num valor tão baixo desde 1996, acompanhou a maré vermelha na Europa. O espanhol Ibex recuou 2,66%, o francês CAC desvalorizou 2,29% e o italiano MIB regrediu 2,74%. No mercado cambial, o euro cedia 0,57% para 1,2844 dólares, a décima queda em onze sessões.

Na base da pressão vendedora está a situação política na Europa. Os investidores estão receosos perante uma possível saída da Grécia do euro, um cenário cada vez mais credível perante o falhar das negociações para formar um governo de coligação.Um jornal grego noticia hoje que um documento enviado pelo presidente da República aos partidos políticos dá conta das dificuldades de liquidez a partir de Junho, se a Grécia não receber a próxima tranche de ajuda financeira internacional.

Para piorar ainda mais a situação, o Nobel da Economia, Paul Krugman, disse que a saída da Grécia do euro acontecerá "muito possivelmente" em Junho. Num post no seu blogue no NY Times, Paul Krugman, o Nobel da Economia em 2008, diz que antecipa "uma saída da Grécia do euro, muito possivelmente no próximo mês".

A situação de impasse político na Grécia irá dominar a reunião de hoje de ministros das Finanças europeus, que voltam a encontrar-se em Bruxelas num clima de grande tensão na Europa.

"O factor medo está definitivamente em alta", disse Madelynn Matlock, gestor de fundos na Huntington Asset Advisors, à Bloomberg. "Toda a situação política europeia é realmente o foco nesta altura. Ninguém sabe realmente o que vai acontecer e o mercado detesta a incerteza acima de tudo", acrescentou o mesmo perito.

A situação de grande incerteza em relação à Espanha será outro dos assuntos abordados entre os ministros das Finanças da zona euro. Neste momento, os juros da dívida espanhola sobem em todas as maturidades e o prazo a 10 anos já rasgou a barreira dos 6%, embora o país tenha conseguido obter o financiamento que pretendia num leilão de dívida realizado esta manhã no mercado primário.

A par de Madrid, os juros da dívida italiana a 10 anos também estão a subir, atingindo já os 5,7%. Esta manhã, para emitir dívida no mercado primário, Itália pagou o juro mais elevado em quatro meses. No mesmo sentido, a ‘yield' das obrigações portuguesas a 10 anos aumentava para acima dos 11%.

Por Lisboa são 15 as cotadas que fecharam no vermelho. A liderar as perdas no PSI 20 estiveram as acções do BES, que afundaram 4,55% até aos 0,60 euros, no dia em que começaram a negociar as novas acções do banco, emitidas na sequência do aumento de capital de mais de mil milhões de euros.

Ainda no sector bancário, o BCP desvalorizou 1,94% até aos 0,10 euros e o BPI desceu 3,14% até aos 0,40 euros. Já o ESFG ficou inalterado nos 5,20 euros.
EDP e Galp também perderam 2,72% e 4,29%, respectivamente, acompanhando a queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais. Já a Renováveis tombou 2,3% para os 3,44 euros.

A PT desceu 1,43% cotando nos 4,12 euros e a Jerónimo Martins cedeu 0,43% até aos 13,95 euros.

Do lado dos ganhos, a Brisa foi a única que registou um ligeiro avanço de 0,04% para os 2,58 euros.

Fora dos mercados accionistas, o ‘brent', que serve de referências às importações portuguesas, cedia 1,07% para os 111,06 dólares por barril. No mesmo sentido, o crude desvalorizou 1,53% para os 94,66 dólares por barril.

No mercado cambial, o euro descia 0,57% para os 1,2844 dólares, mínimos de finais de Janeiro. A moeda única já perdeu dez vezes em 11 sessões. Até o ouro, visto geralmente como um activo de refúgio, perdia 0,90% até aos 1.565,15 dólares em Londres.

 

 

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