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Salgado teme fuga de capiais de Portugal pedir ajuda.
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Ricardo Salgado apresentou hoje uma estimativa de 6,9% do PIB para o défice orçamental português de 2010.
O presidente do BES falava em Lisboa numa conferência da Reuters/TSF sobre a crise de dívida soberana, onde estão presentes Teixeira dos Santos e os principais banqueiros portugueses.
O número lançado por Ricardo Salgado fica abaixo dos 7,3% definidos a meio do ano passado como meta pelo Executivo, e vai ao encontro da expectativa mais recente da equipa das Finanças, que espera um valor abaixo dos 7%. Para 2011, o objectivo é 4,6%.
Pedido de ajuda pode levar riqueza para o exterior
Ricardo Salgado frisou também que "Portugal não está livre" de ver os depósitos dos agentes económicos "fugir para o exterior" como consequência de um pedido de ajuda externo.
O presidente do BES explicou que enquanto em Portugal os depósitos nos bancos continuam lentamente a subir, na Grécia e na Irlanda caíram a pique. "Isto é uma consequência da intervenção externa nestes países: houve uma quebra de confiança que levou as poupanças para o exterior", defendeu, frisando que a economia nacional "não está livre de correr o mesmo risco".
A deslocação da riqueza para o exterior contraria os objectivos que as economias sobreendividadas procuram alcançar, já que para regressar à sustentabilidade é determinante que estes países consigam captar poupanças e evitar o recurso ao financiamento externo.
Famílias portuguesas são solventes
Na mesma intervenção, Ricardo Salgado disse que, apesar das dificuldades, as famílias portuguesas são bastantes solventes.
O presidente do BES notou que "as famílias portuguesas estão, sem dúvida, em dificuldades", mas que essas mesmas "famílias tentam cumprir, sem duvida", as suas obrigações, sobretudo ao crédito a habitação.
E sublinhou que "a actual taxa de sinistralidade é de 1,7%, o que é bem representativo desse esforço" e o que permite afirmar que "as famílias portuguesas são bastante solventes", concluiu.
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