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Caso BCP

Berardo desconhece origem dos documentos que entregou às autoridades

Económico com Lusa  
04/09/12 12:37


O empresário reitera que não conhece a procedência da documentação que o levou a fazer em 2007 uma denúncia às autoridades.

"Não faço ideia", respondeu Berardo, depois de questionado por um dos advogados de defesa sobre se sabia de onde vinham os ditos envelopes e quem os tinha feito chegar até ele.

"Nunca me entregaram pessoalmente. Quem recebeu ou foi a minha secretária ou a porteira [da empresa Metalgest]. Acontece muitas vezes desde que estou em Portugal", sublinhou.

Questionado sobre se os envelopes vinham identificados ou 'em branco', Berardo disse não se recordar. "Não faço coleção de envelopes", acrescentou, explicando que, depois de abertos, os envelopes que recebe são deitados para o lixo.

"Foram muitos documentos e eu, a princípio, nem sequer estava interessado. Mandei tudo para o advogado", frisou.

Sobre a reunião que teve com Carlos Tavares, presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em dezembro de 2007, Berardo disse que foi um encontro "a título pessoal", sem adiantar mais detalhes.

"É uma pessoa de quem gosto e gosto de estar reunido com ele. Mas sempre me encontrei a título pessoal", reforçou o empresário.

"Nunca entreguei documentos ao doutor Carlos Tavares. Isso é trabalho dos advogados", afirmou, referindo que foi sempre acompanhado do seu advogado André Luiz Gomes.

Berardo confirmou que teve reuniões com Vítor Constâncio, que à data era o governador do Banco de Portugal. "Fui recebido por uma comitiva parecida com esta e vim-me logo embora", revelou, apontando para o 'batalhão' de advogados presente na sala do tribunal.

Já sobre a sua deslocação à Procuradoria-Geral da República (PGR), Berardo confirmou-a, mas não avançou com pormenores. "Não discuti os documentos. Apresentámos os documentos", sublinhou.

Sobre eventuais conversas mantidas por Berardo com José Sócrates, que na altura liderava o Governo português, o empresário foi taxativo: "Nunca falei deste tema com o engenheiro Sócrates", assegurou.

A audição de Berardo ficou marcada por um ambiente de alguma crispação, com os advogados a mostrarem por diversas vezes a sua insatisfação perante as respostas dadas pela testemunha.

"Não me lembro" foi a frase mais ouvida esta manhã na sessão do julgamento, com Berardo a insistir que só podia dar respostas acertadas com a consulta de documentação.

Realçando à juíza que conduz o processo que sofre de dislexia, Berardo justificou ainda a falta de capacidade em dar respostas contundentes sobre as questões com que ia sendo confrontado com a pouca escolaridade que possui.

"Saí da escola aos 13,5 anos. Estes intelectuais fazem-me perguntas pessoais, mas o meu assunto é outro. É a cultura. É triste ver o que acontece neste país. É para a excelentíssima senhora doutora juíza ver a inclinação que há para chegar à verdade", lançou a testemunha.

"Estou aqui para colaborar o mais que posso, mas não posso ter memória de tudo o que aconteceu desde 2007", acrescentou.

Neste processo, que corre no 2.º Juízo da 2.ª Secção Tribunal de Pequena Instância Criminal (Campus da Justiça, Parque das Nações, em Lisboa), a entidade de supervisão acusa nove membros da anterior gestão do banco de terem prestado informação falsa ao mercado entre 2002 e 2007.

Em consequência dessa acusação, a CMVM aplicou coimas aos nove ex-administradores e decretou a inibição da atividade bancária a oito deles pelo máximo de cinco anos, mas os visados recorreram da decisão.

Alvo destas acusações estão Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Alípio Dias, António Castro Henriques e Paulo Teixeira Pinto, assim como Luís Gomes e Miguel Magalhães Duarte, ainda em funções no banco.

 





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