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O director do semanário Sol considera que as escutas são "prova cabal" de que estava em marcha um plano do Governo para controlar a comunicação social. O BCP, diz, tornou-se num "cavalo de Tróia".
O director do Sol está hoje a ser ouvido na Comissão de Ética, no âmbito dos trabalhos sobre a evolução da liberdade de expressão em Portugal. No depoimento inicial, José António Saraiva acusou o PS de estar em negação e não poupou críticas ao BCP.
"Ficou claro que o BCP queria decapitar a direcção do Sol (...) tenho a certeza absoluta que esta situação, pelo menos na recta final, foi comandada por Armando Vara", disse o jornalista.
"O BCP começou por ser nosso amigo, mas transformou-se num cavalo de Tróia", prosseguiu, contando que pediu duas audiências com Santos Ferreira, que o presidente do banco ignorou. "Percebi que a relação estava hostil", frisou.
Ainda sobre a relação com o BCP, um dos accionistas iniciais do Sol, Saraiva disse que depois de ter publicado uma notícia sobre o Freeport, um subdirector do semanário "recebeu um telefonema de uma pessoa muito próxima do sr. primeiro-ministro" que "disse que a relação do banco com o jornal dependia da próxima manchete".
Sobre as escutas do processo ‘Face Oculta', José António Saraiva diz-se "orgulhoso" de as ter publicado por considerar que "são prova cabal de que estava em marcha um plano do Governo para controlar a comunicação social".
"Sinto-me chocado por haver pessoas responsáveis do PS a dizer que não se passa nada", confessou. "Isto faz-me lembrar o Iraque, quando o ministro dizia que a situação era calma e o país estava a ser invadido", exemplificou.
Para o jornalista "há um encobrimento do poder judicial sobre o poder político".
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