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Draghi

BCE não vai conseguir resolver crise da zona euro sozinho

Marta Moitinho Oliveira  
31/07/12 00:05


A Moody’s e o JP Morgan lembraram ontem que os líderes europeus têm de fazer a sua parte.

Mario Draghi colocou elevadas expectativas sobre a próxima reunião do Banco Central Europeu (BCE), mas isoladamente as soluções da autoridade monetária podem não ser suficientes para resolver a crise das dívidas soberanas na zona euro. Tanto a Moody's como os analistas do JP Morgan encarregaram-se ontem de o lembrar.

"A vontade do BCE para actuar de uma maneira que, aumentando a confiança dos investidores em dívida soberana da periferia, apoie de uma forma temporária o acesso contínuo destes países aos mercados da dívida representa um elemento crucial da estratégia", defende a agência de ‘rating', citada pelo diário espanhol ‘Expansion'. No entanto, a Moody's alerta que o BCE não pode fazer outra coisa que não comprar tempo, já que "as suas acções isoladamente não vão resolver a crise da dívida". A agência de ‘rating' defende que a crise da dívida só se resolve se houver "mudanças estruturais" nas posições orçamentais e nas políticas que reforçam o crescimento dos estados-membros.

À Moody's junta-se a JP Morgan, cujos analistas examinaram o impacto do programa de compra de obrigações do tesouro, desenvolvido pelo BCE. Se o programa fosse reactivado a sua contribuição para resolver o problema da crise não seria determinante. "Desde 2010, o BCE acumulou 225 mil milhões de euros de dívida dos países periféricos, a maior parte de Itália, Grécia e Espanha. No entanto, as tentativas anteriores do BCE foram essencialmente de reacção. Isto é, o BCE quer travar a crise, mas quer também que sejam as autoridades orçamentais a suportar o fardo", escrevem os analistas do JP Morgan, citados pelo Daily Telegraph. Assim, "as acções anteriores de compra de dívida começaram de forma vistosa mas terminaram três a seis semanas depois", acrescentam. Os analistas do JP Morgan lembram ainda que no final de 2011, o BCE teve de retomar as compras para controlar os juros das dívidas italiana e espanhola.


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