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A compra de dívida pública não é consensual dentro do BCE.
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O Société Générale avança hoje que o BCE terá adquirido 18 mil milhões de títulos de dívida nacional desde Maio.
O banco francês Société Générale, revela hoje que, desde Maio, o Banco Central Europeu (BCE) adquiriu 18 mil milhões de euros de obrigações portuguesas, como parte do seu programa de estancar a crise da dívida soberana na zona euro.
O Société Générale , que é também um dos 18 operadores especializados de valores do tesouro (OEVT) que operam no mercado primário de dívida nacional, calcula que este volume represente cerca de 15% do saldo vivo da dívida nacional.
Os analistas do banco francês referem ainda que qualquer programa de compra de obrigações apenas irá, temporariamente, limitar a subida das ‘yields'. Para os especialistas do Société Générale, a solução terá de passar por um combate do governo ao défice orçamental do país.
"Sem uma austeridade real nos próximos dois a três anos, qualquer provisão de liquidez ou compras oficias de obrigações não irá fazer muita diferença, que não seja adicionar ‘risco moral'", escreveram os analistas do Société Générale, citados pela Bloomberg.
Recorde-se que nas últimas três sessões o BCE tem estado afastado do mercado de dívida da zona euro e isso tem-se reflectido, sobretudo, na subida das ‘yields' dos títulos de dívida dos países periféricos.
Considerando o cenário actual do mercado monetário, não será de estranhar que a autoridade liderada por Jean-Claude Trichet continue menos activa no mercado de obrigações nos próximos tempos. Isto porque, com o cenário de subida das taxas de juro a tornar-se cada vez mais certo, os bancos deverão perder o interesse em fazer depósitos junto do BCE, actualmente com uma taxa de juro de 0,25%, retirando assim liquidez ao BCE para comprar mais títulos de dívida.
Os investidores também estão cientes que o BCE não está confortável em comprar obrigações, visto que estas operações geram um aumento da massa monetária em circulação, que tem como consequência, no longo prazo, uma subida da inflação.
Recorde-se, por exemplo, que em Fevereiro do ano passado a taxa anual do agregado monetário M3 era de -0,4% e a taxa de inflação homóloga na zona euro era de 0,9%, e desde Junho, como resultado das compras de obrigações soberanas do BCE no mercado, a taxa de crescimento anual média do M3 nos seis meses seguintes situou-se acima de 1% e a inflação homóloga fechou em Janeiro acima de 2%.
Neste sentido, ganha ainda maior relevo o papel que o novo fundo europeu, o "Mecanismo de Estabilidade Europeu" (do inglês, ‘European Stability Mechanism'), poderá ter na resolução da crise da dívida soberana na zona euro. Na segunda-feira, após o encontro dos ministros das Finanças da zona euro, Jean-Claude Junker, presidente do Ecofin, revelou aos jornalistas que o fundo irá ter uma capacidade de financiamento de 500 mil milhões de euros. Contudo, só em Março é que serão conhecidas as medidas concretas definidas pelos líderes da zona euro na gestão do ESM.
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