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“Penso que os efeitos de contágio poderão ser evitados”, acredita Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia.
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Portugal empresta dois mil milhões de euros à Grécia. Hoje os mercados vão dar sinais se haverá ou não efeito contágio ao país.
A Grécia já está. Os mercados dirão a partir de hoje se ao socorrer a Grécia, a zona euro impediu que Portugal tivesse a mesma sorte. Para já a zona euro mobilizou 110 mil milhões de euros para que, durante três anos, Atenas não tenha de recorrer aos mercados mas a decisão dos ministros de activar a ajuda não responde ao problema do contágio, nem esclarece o que ocorre se existir um novo caso semelhante.
Durão Barroso, o presidente da Comissão deu ontem uma garantia dirigida a Portugal. "Se em relação ao caso mais grave [Grécia] houve capacidade e vontade para responder, com certeza que em qualquer outro caso haverá a mesma disponibilidade", explicou. E, por isso, "os efeitos de contágio poderão ser evitados", disse, salientando que "há uma ameaça potencial que a Grécia salte de um país para outros. Foi por isso que ajudamos a Grécia. Não o fizemos por amor", disse o ministro holandês, Jan Kees De Jager. O ministro das finanças grego, George Papaconstantinou, também disse que o acordo "é a prova que a zona euro fará tudo o que for preciso para ajudar um membro", mas nem todos o defendem nesses termos.
O presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, insiste na mesma reacção que deram a um risco de falência grega nos últimos meses. "Essa questão [de Portugal ou a Espanha serem a nova Grécia] não se coloca". Em Atenas, George Papandreou, o primeiro-ministro grego, apresentando ao país medidas radicais de contenção disse que nas ultimas semanas "o problema tornou-se maior: este fogo ameaça espalhar-se e prejudicar ainda mais a Grécia e outros países e economias da zona euro".
A chanceler alemã, Angela Merkel, olha para o contágio com outra perspectiva. Ontem justificou a dureza das medidas tomadas pela Grécia, que cairá numa recessão de 4% este ano e 2,5% no próximo, para deixar claro a países como Portugal, Irlanda e Espanha o que lhes espera se seguirem o mesmo caminho.
O ministro das finanças português, Teixeira dos Santos, disse ontem que a decisão de ajudar a Grécia era boa para Portugal na medida em que permite "estabilizar uma moeda - o euro - que é a nossa". Será suficiente? "Espero que sim" disse, afastando o risco de contágio.
O primeiro sinal será dado hoje pelos mercados que poderão decidir atacar economias em posição frágil e que não são abrangidas neste pacote de ontem, todas menos a Grécia, ou seja a Portugal, Espanha e Irlanda.
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