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Títulos do BES já valem menos de um euro, após a queda abrupta de hoje. Mas não foi a única. BPI e Banif tombaram quase 9%.
A banca nacional voltou hoje a afundar pelo segundo dia consecutivo. Banif e BPI foram os títulos que mais recuaram em Lisboa, com tombos de quase 9%, e o BCP caiu 5,36% para voltar a aproximar-se nos mínimos históricos abaixo dos dez cêntimos: vale agora 0,106 euros. Também o BES caiu 7,48% para baixo da fasquia de um euro. Cada título do banco liderado por Ricardo Salgado vale 0,98 euros. No geral, o PSI 20, o principal índice português, recuou 1,39% para 5.268,37 pontos.
"Os bancos precisam de capitais próprios numa altura em que as condições de financiamento no mercado estão a deteriorar-se", referiu Pedro Ortigão Correia, especialista do ASK, ao Etv. "O fundo de recapitalização da banca pode aliviar, mas ainda não sabemos quais serão as medidas impostas por essa recapitalização. Pode acontecer que a banca seja estrangulada. Ou seja, é muito importante para os investidores saberem o valor real da banca, da sua exposição à dívida pública", acrescentou.
Mas os desempenhos da banca nacional e da própria praça lisboeta não divergiram muito do que se passou lá fora. O índice da Bloomberg para o sector financeiro europeu cedeu quase 2,5%, com os franceses do Société Générale e do Crédit Agricole em destaque: desceram ambos mais de 5%. Em termos de índices, o CAC 40 de Paris deslizou 3,33%, acompanhado pelo Mib de Milão e Ibex 35 de Madrid, que cederam 2,8% e 1,4%, respectivamente.
A pressionar as praças europeias estiveram sobretudo os alertas deixados ontem pela Reserva Federal em relação aos perigos da crise de dívida na zona euro.
No mercado cambial, os receios de agravamento da crise na Europa estão também a pressionar a moeda única: o euro recuava há momentos 0,6% para baixo dos 1,30 dólares, um mínimo desde o início do ano. Nas ‘commodities', o preço do barril de ‘brent', que é a referência para as importações nacionais, tombava 3%.
Por Lisboa, foram quatro as cotadas as que escaparam à pressão vendedora. E três delas são do sector energético: a EDP fechou inalterada nos 2,41 euros, depois de o Diário Económico ter anunciado que os chineses do Three Gorges e os alemães da E.ON lideram a corrida pela compra dos 21% do Estado; a Mota-Engil manteve-se nos 1,03 euros; a REN subiu ligeiramente para 1,95 euros; e a EDP Renováveis somou 4,24% para 4,35 euros. "Se a E.ON ou China Three Gorges ganharem, veríamos uma maior probabilidade da compra de participações minoritárias no médio prazo", disseram vários dealers à Reuters.
Do lado negativo, além da banca, também a Galp e a Jerónimo Martins, duas das maiores cotadas nacionais, condicionaram a praça lisboeta. A petrolífera nacional recuou 3% para 11,32 euros, enquanto a retalhista cedeu 1%
No total, 16 cotadas encerraram em zona vermelha, com destaque ainda para os títulos da família Sonae: a Sonae Indústria tombou mais de 8%, a Sonaecom caiu quase 5% e a Sonae cedeu 3,2%.
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