Apesar da presente crise financeira todos os agentes económicos reconhecem a importância do sector bancário na economia mundial.
É indiscutível o papel mobilizador e até mesmo inovador que tem tido nos últimos anos na sociedade global. Mas nesta fase de enorme dificuldade é urgente que os bancos percebam a importância de comportamentos éticos, assentes em três qualidades fundamentais: lealdade com todos os ‘stakeholders', integridade e coragem.
Assim, não basta aos bancos fazerem bem as suas principais actividades: captação de poupanças; aplicação de poupanças em activos diversificados e adequados que reflicta o custo de financiamento e os riscos assumidos; aplicação de poupanças em fundos de investimento; oferta de serviços de aconselhamento financeiro; e a avaliação, controle e diversificação dos riscos da carteira de activos.
São necessárias novas responsabilidades - ambientais e sociais -, que em vez de factores de risco para o sector, deverão ser abordados como verdadeiras oportunidades de negócio, consubstanciadas na criação de novos produtos e serviços que possam influenciar boas práticas e comportamentos nos diversos agentes económicos. É necessária a harmonização e coerência entre as políticas ambientais e sociais defendidas e a abordagem ao negócio praticada através do desenho de uma "estratégia de sustentabilidade", que permitirá o cumprimento das qualidades necessárias referidas. E isso só será possível se houver capacidade e vontade de envolvimento de todos os ‘stakeholders'. Todos os grupos sociais com actividades nos bancos deverão ser envolvidos e o ponto de partida deverá ser o esclarecimento das expectativas de todos. É fundamental ouvi-los e fomentar um ambiente de empatia, inclusive com os mais críticos, tentando perceber os diferentes pontos de vista.
Destaco, todavia, os ‘stakeholders' internos (colaboradores) pela sua especial importância nesta conjuntura económica. Deverão ser encontradas novas formas de relação com os colaboradores (clientes internos). E a este nível chamo a atenção para o recente relatório do IPP Portugal que através dos seus resultados aponta pistas, antecipa tendências, permitindo, a mentes mais abertas, uma reflexão estratégica sobre os modelos actuais de gestão de RH.
Respostas às questões, quais são as reais necessidades dos colaboradores?, como poderá ser melhorado o seu ambiente de trabalho?, como facilitar a sua actividade e desempenho?, são o início de uma nova e necessária abordagem junto dos colaboradores, que integrada numa verdadeira estratégia de sustentabilidade facilitará ao banco a melhoria da ‘performance' financeira, ganhos de reputação e criação de valor.
Aludo a este respeito a um pequeno trecho do "Código do Samurai": "... tomar um barco para Yokkaichi ou Awazu, com o intuito de encurtar a viagem, será uma imprudência. Pois deparar com mau tempo..., é desculpável; mas insistir em ir por um atalho para depois ocorrer algum percalço, isso é completamente indesculpável". Este principio "de que o caminho mais longo é o mais curto" ganha especial pertinência nesta matéria, nomeadamente quando falamos de pessoas.
Fica pois claro que a sustentabilidade não deve ser encarada como uma actividade de um simples departamento, seja de marketing, comunicação ou comercial. Deve fazer parte da estratégia e prática do banco. Para isso é necessário reforçar na cultura dos bancos o conceito de inovação com sustentabilidade, introduzindo algumas ideias e procedimentos, como: estimular as práticas saudáveis, adoptar a sustentabilidade como vector de desenvolvimento, exigir a quantificação de resultados (tangíveis) e criar formas de gestão da inovação. Opções não faltam, é necessário valorizar ainda mais o "Ser Humano", seguindo caminhos para uma existência dos bancos com mais sentido e, eventualmente, com mais sabedoria.
____
Bruno Valverde Cota, Doutorado em Gestão de Empresas
Comentários
Publicidade
Última Hora
- 06:55
Investimento em matérias-primas atinge nível recorde - 21:02
Oliveira Costa já foi notificado da acusação - 19:21
PGR manda arquivar escutas a Sócrates - 00:05
Penedos assume indícios de um crime de tráfico de influências - 00:05
Conheça as acções mais ignoradas da bolsa portuguesa - 00:05
Martifer já factura 130 milhões a fabricar painéis solares - 00:05
Ventoinhas gigantes da EDP transformam paisagem dos EUA







1 | 2 | »»
Os Bancos têm muito ainda que andar para perceberem a importância dos seus colaboradores. Ainda não perceberam que as "pessoas é que fazem as casas".
A gestão da maioria dos bancos depara-se com um problema fundamental que se encontra longe de resolver: a integração do cumprimento de objectivos financeiros anuais numa perspectiva estratégica plurianual. Continuam a existir "duas cabeças" a pensar diferente sobre a actividade dos seus colaboardores na abordagem a um activo designado por cliente. Neste contexto as teorias dos RH na gestão dos colaboradores dos bancos não catalizam o potencial do Marketing nem se enquadram na perspectiva do Comercial que corre atrás da cenoura pendurada no dia 31 de Dezembro do calendário.
Concordo com o Dário Gomes quando diz que "pessoas é que fazem as casas". No entanto também sabemos que são as pessoas que as destroem. A valorização das pessoas deve ser efectivamente praticada, no entanto, na nossa cultura existem dois sentimentos que não são facilmente ultrapassáveis, e por isso, podem representar um obstáculo à valorização das pessoas nas empresas: O facto de, tradicionalmente, não se gostar de assumir responsabilidades, e o facto de estarmos sempre insatisfeitos com alguma coisa (por mais pequena que seja). É aqui que entra a sabedoria da valorização pessoal. Quem conseguir atingir esse sábio conhecimento sobre o que interessa realmente a cada colaborador, conseguirá de um modo sustentável, crescer, e tornar qualquer ambiente organizacional mais produtivo.
Totalmente de acordo. Só com colaboradores motivados, empenhados e com conhecimento técnico os bancos conseguirão ultrapassar esta crise.
Qualquer orgnização deve dar atenção ao seu pessoal, um recurso sempre mui valioso ! É o que fazem o HSBC e Barclays londrinos, o que fazia o Banco Português do Atlântico, o antigo grupo CUF ou o que faz um bom café ou restaurante em relação aos seus empregados e cozinheiros ! Actualmente, os "patrões" da banca e empresas são mercenários como os futebolistas : mudam de camisola assim que lhes acenarem com mais umas notas ! Tal como algumas "velinas" que trocam de lençóis frequentemente...
De acordo com as linhas deste artigo e com os comentários dos leitores. Deixo uma pista para todos: da lista das empresas mais admiradas e das melhores para se lá trabalhar estão apenas empresas que têm atenção e este e outros grandes "pormenores".
Na realidade há bons operários, mas faltam lideres. O artigo do Professor, como sempre está dentro da conjuntura, é pena quem actualmente lidera não proceda como refere. Parabéns
Parabéns Professor, o seu artigo está actualizado, na conjuntura actual, eos lideres têm que proceder como refere, caso contrário as empresas e instituições ficam pelo caminho
Assino o texto, alterando a palavra "banco" por "qualquer empresa"! Sou da opinião que colaborador satisfeito equivale a um aumento de produtividade, uma transferência de satisfação para o cliente e um aumento de energia que permite o cresciemtno e desenvolvimento da empresa. Agora cabe aos 'patrões' assumirem essa filosofia. Temos fé!
Bruno, antes de mais, parabéns pelo artigo. Está simples, conciso e passa as mensagens de forma pertinente. Concordo na totalidade, apenas acrescentaria que para que tudo isso aconteça, mais do que alteração dos modelos de gestão de RH, o que urge de facto mudar é a forma como os líderes e os boards vêm a temática RH e Sustentabilidade.
Temas como o capital humano, gestão de talento, sustentabilidade são ainda, na minha opinião, buzzwords, apesar da evolução verificada nos últimos anos.
Importa que os líderes assumam e acreditem de facto na importância e carácter decisivo destes temas, e não os encarem de forma desgarrada nos intervalos das "urgências" dos temas "de negócio". Um abraço!
Liderança, inovação, equidade, qualidade, produtividade, devem os objectivos comuns (empregadores e colaboradores), quer seja de curto, médio e longo prazo.
Gostei... também... da referência... ao "Código Samurai"... e dos comentários!
Toca no âmbar da questão da sustentabilidade - pela globalização só é possível se assente numa visão de longo prazo assente no capital humano e não nos processos ou funções - modelos de gestão assentes em KPI's de natureza comerciais e contabilística não espelham as expectativas dos agora alargados stakeholders.
Tenho apenas uma "pequena" dúvida, fundada na experiência da minha vida: perdoa, Bruno, mas não estou mesmo a ver os bancos "sábios" com preocupações sociais...
Preocupações Sociais são sinonimo de consciencia numa sociedade onde a balança pesa muitissimo no Parecer em e não no Ser, Quando olhamos para a Hierarquia da piramide de Maslow podemos constatar que os patamares que guiam a maioria dos nossos cidadão são demasiado Primarios para conseguirmos tão ilustre mudança.
Para alçançar é preciso acreditar...mas será que as nossas organizações se atrevem a dar lugar aos Visionários, aos que marcam a diferença, aos que valorizam a ética e emprenho?
Meus caros, as sustentabilidade é um futuro desejado, no entanto ainda muito pouco presente.
Não podemos mudar o Mundo mas se cada um honrar a sua passagem seja qual for o passeio transiunde, passo a passo chegaremos, bem mais longe.
Uma questão de Consciencia...