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O número de penhoras de imóveis está a crescer a um ritmo galopante.
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Banco público está a oferecer cheque escritura de 600 euros.
O número de penhoras de imóveis está a crescer a um ritmo galopante e deverá este ano bater todos os recordes. Para escoar o elevado ‘stock' de imóveis em carteira, os bancos usam como ferramenta campanhas de "oportunidades" ou "saldos", em complemento com os canais tradicionais - as leiloeiras e as empresas de mediação imobiliária.
Estas campanhas surgem como resposta à actual conjuntura económica e financeira. Por um lado, os bancos estão a cortar a concessão de crédito à economia, a enfrentar dificuldades crescentes no acesso a financiamento e procurar soluções para cumprir os rácios de capital e, por outro, o incumprimento não dá tréguas. Apesar das campanhas de venda de imóveis dos bancos não serem inéditas, a verdade é que, nesta altura, seduzem pelas facilidades e condições do financiamento. O objectivo dos bancos? Limpar balanços.
A campanha "Primavera" da Caixa Geral de Depósitos, lançada a 21 de Março e que se prolonga até 21 de Junho, disponibiliza ao mercado e aos seus clientes, para venda ou arrendamento, um conjunto de imóveis de sua propriedade ou de empresas do Grupo CGD. Para os seus clientes, a Caixa oferece condições promocionais como a oferta de um "cheque escritura" (de montante igual a 600 euros), a entregar na data da escritura de aquisição da casa ou a oferta da primeira renda nos contratos de arrendamento.
Com o objectivo de aliciar o maior número possível de potenciais compradores ou arrendatários, o banco público facilita as condições de financiamento: 100% do valor de avaliação, até ao montante de aquisição; dispensa de avaliação e de encargos inerentes; isenção de comissão de estudo; dispensa de realização dos registos provisórios e oferta do serviço de documentos da habitação.
À semelhança da CGD também o BCP lançou este ano uma campanha. Com o mote "Casas em Saldo", a promoção de venda de imóveis do banco, que terminou no dia 31 de Março, apostou em "descontos face ao valor de mercado". As condições especiais apostavam numa TAE de 2,904%, spread de 1% (mediante análise de risco do cliente e características da operação), isenção das comissões de avaliação, de dossier e de formalização, dispensa dos registos provisórios e financiamento até 50 anos.
O BPI tem em curso, ao longo de todo o ano, a venda de "imóveis oportunidade", sob as designações "Imóveis BPI ou Venda Judicial BPI", através de uma parceria com o Expresso Imobiliário. E o BES não foge à regra e todos os meses tem em campanha uma vasta lista de imóveis.
Perante a actual conjuntura, não será de estranhar que mais bancos apostem, no decurso deste ano, neste tipo de promoções. Em Janeiro, segundo os últimos dados do Banco de Portugal, o malparado nos empréstimos às famílias aumentou 140 milhões de euros, face ao mês anterior, totalizando 4.129 milhões, com o crédito à habitação a apresentar o maior crescimento dos empréstimos de cobrança duvidosa.
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