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Finanças

24 Mai 2012

Bancos discutiram hoje planos de capitalização com a 'troika'

Económico com Lusa
Bancos discutiram hoje planos de capitalização com a 'troika'

Os quatro principais bancos a operar em Portugal reuniram-se com a 'troika', encontros em que discutiram os planos de recapitalização.

Os responsáveis da Caixa Geral de Depósitos (CGD), BPI, BCP e BES reuniram-se hoje, em encontros individuais, com a delegação da 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) que está em Portugal para a quarta avaliação do memorando de entendimento.

Em cima da mesa estiveram, sobretudo, os planos de recapitalização dos bancos, no momento em que estes estão a ser negociados, quer com o Banco de Portugal, quer com o Governo. A 'troika' destinou 12 dos 78 mil milhões do pacote a Portugal para o reforço de capitais dos bancos, caso estes não o consigam fazer pelos seus próprios meios.

Depois de até final de 2011, os bancos terem reforçado o seu rácio de capital 'core tier 1' (a medida mais eficaz de avaliar a solvabilidade de um banco) para 9 por cento, este valor tem de ser reforçado para no mínimo 10% até Dezembro deste ano.

Entretanto, os bancos têm de cumprir mais uma exigência, desta vez da Autoridade Bancária Europeia. Até final de Junho, têm de apresentar o rácio 'core tier 1' de 9%, mas neste caso incluindo também a avaliação a preços de mercado da exposição à dívida soberana e ao sector público.

BCP e BPI já admitiram que vão ter de recorrer ao capital público, mecanismo ao qual podem aceder depois de, a semana passada, ter sido publicada a portaria que regulamenta o acesso.

O BCP precisa de cerca de 2.500 milhões de euros para atingir a meta de Junho, enquanto as necessidades do BPI estão estimadas entre 1.000 e 1.400 milhões de euros.

As necessidades de capital serão colmatadas através do recurso à linha de recapitalização, mas também poderá haver aumento de capital através de accionistas privados.

No caso do recurso à linha pública, a legislação prevê duas formas: a subscrição de acções pelo Estado ou de instrumentos híbridos (obrigações de capital contingente ou 'coco bonds'), títulos de dívida que se convertem numa acção a partir do momento em que o banco intervencionado não cumprir determinadas condições.

Os bancos deverão querer cumprir as necessidades de capital através de instrumentos híbridos, já que o Estado não se torna accionista e evita a diluição das posições dos actuais accionistas dos bancos. No entanto, estará a decorrer um braço-de-ferro com o Estado, com este a pressionar para fazer parte da recapitalização, directamente, através de capital.

Também a Caixa Geral de Depósitos precisa de se recapitalizar, neste caso em cerca de 1.600 milhões de euros. Impedida de usar os 12 mil milhões de euros, vai recorrer ao único accionista, o Estado, que deverá recapitalizar a instituição tanto pela entrada de capital como pela subscrição de instrumentos híbridos.

O Banif também já fez saber que precisará de 300 milhões de euros, recorrendo apenas a capital público.

Além dos planos de recapitalização, também indicadores, como a evolução dos depósitos e do crédito, estiveram em análise nas reuniões de hoje entre os banqueiros e a 'troika'.Foi feita uma "avaliação positiva", disse à Lusa a mesma fonte.

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