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Banca

Bancos ajustam crédito aos depósitos captados

Sandra Almeida Simões   e Rui Barroso
05/07/10 00:07

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1 leitores

Crise obriga bancos portugueses a equilibrar os balanços. O rácio de crédito sobre depósitos está ao nível mais baixo da última década.

É preciso recuar ao início de 2000 para encontrar no balanço dos bancos nacionais um volume de crédito concedido tão baixo, face aos depósitos captados, como o registado em Maio deste ano.

A aposta estratégica da banca na concessão de empréstimos, a par com a trajectória descendente da taxa de poupança dos portugueses na última década, ditou um desequilíbrio na relação entre crédito e depósitos. A crise evidenciou este excesso de endividamento, uma fragilidade, com graves consequências na economia real, que os bancos tentam colmatar. Os últimos números do sector já mostram melhorias no rácio de crédito sobre depósitos do sector, embora os especialistas acreditem que, a curto prazo, as alterações não serão muito significativas.

De acordo com os cálculos do Diário Económico, com base nas estatísticas do Banco Central Europeu, no final de Maio, o rácio de crédito sobre depósitos (total de empréstimos concedidos versus o volume de depósitos angariados) da banca portuguesa fixou-se em 108%, o valor mais baixo desde Outubro de 2000, com o ‘stock' de crédito a atingir os 333,6 mil milhões de euros e os depósitos a totalizarem 308,9 mil milhões de euros. Isto significa que por cada um euro depositado por aforradores a banca empresta 1,08 euros.

Este rácio de 108% representa uma descida face aos 113% de Abril, devido ao recuo no montante de crédito em ‘stock' e aumento do volume de depósitos. Por um lado, a maior selectividade na concessão de crédito não surpreende, até porque, devido à escassez de capital, os banqueiros têm alertado repetidamente para o facto de a torneira do crédito fácil estar fechada. Por outro, perante as actuais dificuldades de financiamento da banca, a melhoria do rácio mostra que "perante as actuais dificuldades de financiamento, a banca está financiar-se mais por depósitos", explica Filipe Garcia, economista da IMF. E, de facto, o volume total de depósitos subiu 4,7% de Abril para Maio, ultrapassando pela primeira vez os 300 mil milhões de euros. Este incremento dos depósitos, sem paralelo desde 1997, deve-se apenas ao reforço de fundos por parte das instituições financeiras monetárias, excluindo o Eurosistema, ao passo que os restantes segmentos registaram quedas.

A melhoria do rácio de crédito sobre depósitos pode ainda ser explicada pela "necessidade de adequação aos princípios de Basileia III que, apesar de não estarem ainda completamente definidos, sabe-se que obrigarão a uma menor alavancagem da banca", acrescenta o economista.

 





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Comentários (21)

Mr.Jay Lee , | 03/12/10 17:46
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Francisco, Algarve | 06/07/10 12:23
Aparece por aqui cada cromo... um tal CC que não concorda com o uso de dinheiro... pelos vistos voltávamos aos primordios da troca por troca... nem sei porque perco tempo a comentar ideias destas... é mais para chamar a atenção ao facto de, em 2010, ainda haver nesta sociedade gente a pensar assim.


CC, Lisboa, Oeiras, Porto Salvo | 05/07/10 14:29

Sr "Economista" a mesma resposta que atribuí ao Sr António Costa Lima,
atribuo-a a si. Nem com a notícia à frente dos olhos entende. Informe-se e volte mais tarde. Obrigado.




CC, Lisboa, Oeiras, Porto Salvo | 05/07/10 14:25


Caro António Costa Lima, como referi, se o banco inventa dinheiro baseado no sistema de reserva faccional, como explica de forma breve o Sr/Sra "violencia", não concordo nem com a invenção de dinheiro, nem com a cobrança de juros, mecanismo através do qual muitas famílias viram os seus bens usurpados.

Para sua informação, não tenho nenhum empréstimo, nunca fiz, nem tenciono fazer.

Não sei que é que são as pessoas como eu, nem segundo os seus parâmetros.

Não percebo com que fundamentos é que estabelece um juízo sobre quem sou, por eu explicar como funciona a banca e expressar a minha opinião sobre o sistema e mostrar solidariedade para com as pessoas afectadas.

Informo-o também, que tenho dinheiro para os meus vícios. Isto é, o tabaco.

Contrariamente a si, não vou usar os seus comentários despropositados de índole preconceituosa afogados numa profunda absurdidade para o julgar, dado que não o conheço de parte alguma.

Limito-me a comentar a notícia baseando-me na na documentação existente incluindo a notícia. Ir mais além, isto é, julgar comentadores, seria para mim fútil.

Sugiro-lhe que se informe melhor sobre o funcionamento da banca e volte mais tarde para comentar a notícia.


CAÇOADA, Lisboa | 05/07/10 12:26
NÃO se esqueçam de quem é que esteveve à frente deste País triste: SÓCRATES. FOI O SOCRATES QUE NOS LEVOU À BANCA ROTA.


violencia, | 05/07/10 10:25
A isto chama-se alavancagem. Emprestar o que não se tem. Só é possível desde que introduziram o sistema de reserva fraccional, ou seja se eu depositar 10.000€ o banco constitui 10% de reserva obrigatória e pode emprestar os restantes 90%; quem toma esses 90% emprestados pode depositá-los e o banco retém 10% e volta a emprestar os 90% que resta. No limite empresta 100.000€ virtuais mas só lá tem 10.000€ reais.Preparem-se para a hiperinflação que é a maneira que os governos encontram para se livrarem dos credores, ou seja desvalorizam a divída.


joao, lisboa | 05/07/10 09:27
o que é preocupante é quem poupa e disponibiliza dinheiro na banca , não é remunerado a taxas razoáveis.
Vemos finalmente uma aplicação do estado " Titulos do Tesouro" com taxa 5,50% a 10anos. A banca não apresenta nenhum produto com a mesma rentabilidade.
Até aqui o estado estava a emitir titulos de divida apenas ao exterior onde só consegue actualmente valores de juros superiores.


António Costa Lima, | 05/07/10 08:12
Oh CC és um lírico, então não querias pagar juros sobre o dinheiro emprestado pelo banco? Então e eu que não peço empréstimos e vejo as minhas poupanças no banco serem entregues a tipos como tu que não querem pagar juros e não querem que te confisquem os teus bens caso não pagues. Ganha mas é juízo e vive com o que tens, em vez de andares a viver de dinheiro emprestado. Quem não tem dinheiro não tem vícios.


CC, Lisboa, Oeiras, Porto Salvo | 05/07/10 02:53


Basicamente a banca empresta dinheiro que não tem. Com a crise está a conseguir fazer menos "números de magia" com o dinheiro.

Como se não bastasse emprestarem dinheiro inventado, ainda cobram aos clientes juros por isso, e que no caso de não conseguirem ser pagos veêm as suas posses, riqueza que foi realmente produzida através de árduo trabalho, confiscadas.


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