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Reforma

Banco de Portugal terá poderes reforçados

Pedro Carvalho  
18/07/09 15:00

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1 leitores

As Finanças vão colocar em consulta pública, em Setembro, um dossier para criar o modelo ‘twin peaks’ na supervisão em Portugal. O Banco de Portugal terá poderes reforçados.

O Conselho Nacional do Mercado de Valores Mobiliários (CNMVM) esteve reunido ontem sob a presidência do ministro Finanças Teixeira dos Santos.

Na reunião estiveram presentes o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Costa Pina, e os vogais que compõem o Conselho e que representam, além dos supervisores financeiros, os principais sectores do sistema financeiro português.

Na agenda esteve, essencialmente, a análise à regulação e supervisão do sistema financeiro em Portugal.

Em relação ao passado e pelo que afirma um comunicado divulgado pelo Ministério das Finanças, o CNMVM fez uma análise positiva da forma "sólida e robusta" como o sistema financeiro nacional, na sua generalidade, ultrapassou o período mais severo da crise financeira internacional, "sem prejuízo da existência de situações pontuais, devidas a razões alheias à crise e que não afectaram a estabilidade do sistema".

Reforma do modelo de regulação e supervisão

Os conselheiros foram informados dos trabalhos que estão a ser desenvolvidos pelo Ministério das Finanças no sentido de reformar o modelo de regulação e supervisão financeira em Portugal.

O Ministro de Estado e das Finanças e o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças transmitiram aos restantes conselheiros "a necessidade de se equacionar uma divisão mais clara entre a supervisão prudencial e a supervisão comportamental", com atenção reforçada às vertentes macro e micro-prudenciais.

No que respeita à vertente macro-prudencial - que se dirige ao sistema financeiro como um todo - foi referida a intenção de dotar o Conselho Nacional de Estabilidade Financeira de competências e responsabilidades no domínio da estabilidade financeira em Portugal.

Ao nível da supervisão micro-prudencial - aplicável individualmente a cada instituição, mercado e produto financeiro - as Finanças ponderam a implementação de um sistema dual.

O primeiro pilar do sistema dual está assente num pilar encarregue de toda a supervisão prudencial (o que implicará o reforço dos poderes e responsabilidades do Banco de Portugal).

O segundo pilar do sistema dual ficará encarregue essencialmente da supervisão comportamental, "vocacionado para monitorizar a conduta dos agentes nos mercados financeiros e para promover a protecção dos consumidores de produtos financeiros".

Este sistema bipartido de supervisão, segundo um comunicado das Finanças, "permite reforçar a eficácia, a coerência e a consistência da supervisão do sistema financeiro, dado que facilita a supervisão dos grupos financeiros numa base consolidada, contribui para uma melhor monitorização e resolução dos problemas, através da regulamentação e de políticas transversais a todo o sistema financeiro, reduz as possibilidades de arbitragem de regulação e maximiza as economias de escala".

Maior ligação ao Ministério Público

O CNMVM também alerta para a necessidade de serem reforçados os mecanismos de circulação de informação entre as instituições e no âmbito do Conselho Nacional de Estabilidade Financeira, "de modo a assegurar a eficácia e a eficiência nos níveis de supervisão, micro e macro prudencial". Adicionalmente foi reconhecida a importância do "reforço da cooperação entre as autoridades responsáveis pela investigação criminal e as autoridades de supervisão financeira".

No início de Setembro serão colocadas em consulta pública propostas de reforma do âmbito e da arquitectura da regulação e supervisão financeira em Portugal, tendo os conselheiros sido convidados a apresentarem contributos.

Glossário

  • Supervisão macro-prudencial dirige-se ao sistema financeiro como um todo e visa assegurar a estabilidade financeira em Portugal.
  • Supervisão micro-prudencial é aplicável individualmente a cada instituição, mercado e produto financeiro, podendo ser exercida através de um sistema dual, com uma divisão de tarefas e competências entre a supervisão prudencial e a supervisão comportamental.
  • Supervisão prudencial é entendida como aquela que se destina a assegurar os valores de prudência na actuação dos agentes económicos e também os de confiança do público, visando a prevenção de riscos, a solvência e liquidez financeira das instituições reguladas, e, portanto, exercida ex ante.
  • Supervisão comportamental está mais associada a um controlo ex post da actividade das entidades reguladas junto dos consumidores, no intuito de obrigar ao cumprimento das regras vigentes pela aplicação de sanções aos agentes infractores.




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Comentários (10)

Alex, | 19/07/09 13:12
sim sim ta bem ta


lloyd, | 18/07/09 23:33
Há muito tempo que foi necessario fazer isto.


rr, | 18/07/09 23:12
Terá poderes reforçados, porquê? O Vitor Constâncio vai, finalmente, embora? É que, se não for, tudo continua na mesma: o Vitinho na sesta o tempo todo e a receber meio milhão por ano.


José Pedro B. C. Ganiguer, Lisboa | 18/07/09 23:04
O problema, fonte das falhas que permitiram as últimas fraudes, não terá estado na deficiência dos sistemas e procedmentos de controle. Eles já existem no plano europeu e global, onde as instituições financeiras se integram (rácios, requesitos para quotação em bolsas, ratings, etc.).
O problema jaz e continuará a jazer, enquanto "não forem dados ouvidos" à questão fundamental das repartições de funções e da delegação de controle em instituições independentes, as quais se arriscarão a terder tudo em caso de falha: os auditores externos internacionais. Só estes farão o trabalho. Todos os outros terão - seguramente, assumamos, - a capacidade técnica, mas não poderão furtar-se às pressões de tipo político, as quais têm poder para arruinar indevidamente careiras para o resto das vidas. Vão ser auditores assim no c. ou então, se o forem, e há quem seja, sim, então terão dado provas de "os terem" "lindamente". à Vous, Messieurs! Faites Vos jeux!


Antrax, Lx | 18/07/09 22:23
Todas as empresas cotadas na bolsa deve ter uma supervisão exigênte de forma aleatoria com o proposito de quem pisar o Risco apanha com uma gigantesca coima, os empresarios tem de aprender a gerir com inovação e conhecimento e n como um burgues ignorante como aconteceu no caso do BPP.
As empresas cotadas na bolsa não sentem a presão de mostrar nem transparência nem rigor muitas tem sites que parecem da idade do principio da net, as empresas são intidades relacionais abertas num mundo onde a web.2 tem cada ves mas inpacto. Muitas empresas cotadas vivem nos castelos de cartas a depender do governo e a olhar para dentro o mercado esta la fora as vagas da globalização estão sempre a acontecer porque é a dinamica inprimida pelos agentes participantes.


vg, | 18/07/09 15:56
É preciso encher o Banco de Portugal ,de modo manter ou aumentar aquela côrte..


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