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Entrevista

“Banca cometeu erro ao empurrar Petroplus para a insolvência”

Elisabete Felismino e Ana Maria Gonçalves  
06/02/12 00:05

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O empresário fala da insolvência da Petroplus e não desiste do nuclear em Portugal, tendo já contactado o Governo.

Patrick Monteiro de Barros mantém a esperança de que a situação da Petroplus se resolva. O empresário aponta o dedo ao ‘dumping' ambiental que surge de países como a China e a Índia e queixa-se de que estão a castigar o sector refinador na Europa. E deixa o alerta: a Europa está a suicidar-se industrialmente.

Quando é que se apercebeu que a situação financeira da Petroplus não estava bem?
A partir de Março do ano passado. Em Junho fechámos uma refinaria em França. A situação na Líbia só veio agravar. As margens degradaram-se para todos. O sector da refinação em França perdeu 1,5 mil milhões de euros num ano. Uma companhia como a Total aguenta perfeitamente perder 300 ou 400 milhões, porque do outro lado, na exploração e produção de petróleo, ganha muito mais. É um produtor integrado e nós somos apenas um puro refinador. Não temos outra fonte de rendimento. As grandes companhias internacionais não reclamam da situação, porque não querem chamar a atenção sobre os grandes lucros que têm do lado da produção.

E o papel da banca?
No aspecto financeiro, os bancos não têm dinheiro. Tínhamos um ‘stock' permanente na Petroplus à volta de 30 milhões de barris. A 80 dólares, eram 2,4 mil milhões de dólares. Contávamos com uma linha de crédito de 1,7 mil milhões de dólares que chegava. Com a passagem do crude para 110 dólares o barril, estamos a falar de 900 milhões adicionais que os bancos não quiseram financiar porque não têm dinheiro.

Quais as perspectivas?
Os bancos cometeram um erro estratégico ao empurrarem a ‘holding' Petroplus para esta situação de insolvência porque isso afecta todas as filiais. Fomos obrigados a declarar insolvência em todas as refinarias. Avisámos os bancos de que se iriam meter com quatro ou cinco jurisdições diferentes. Era melhor nós continuarmos a ter um certo controlo. Os efeitos estão à vista. Ainda acredito que a situação se resolva. Isto não é agradável, porque não gosto de estar em projectos que perdem. Não é o meu estilo. Por outro lado, numa fase adiantada da vida profissional, também não é agradável perder uma batalha destas. Mas também sou apenas o ‘chairman' não executivo. Tenho 0,3% do capital e tenho feito os impossíveis porque sinto que tenho a responsabilidade de três mil pessoas. Não sou como o comandante do Costa Concórdia, não abandono o barco.


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