Com esta crónica despeço-me dos leitores do Diário Económico onde quinzenalmente recortava apontamentos pessoais sobre a evolução da economia e dos mercados financeiros.
Com ela cesso uma colaboração de longa data, primeiro com o Semanário Económico e mais tarde com o Diário do mesmo nome.
Tenho de memória um primeiro escrito de Maio de 2002, como uma das primeiras intervenções regulares neste jornal, quando ainda falava do "processo de Bolonha" como algo distante que o ensino superior iria ter de ajustar. Parecia-me impossível... Hoje uma realidade e já podemos até mudar em resultado do que se sabe que está mal.
Foram mais de 170 artigos de opinião ao longo de 9 anos, a que somavam artigos mais extensos de Outlook para o ano, e umas largas "milenas", pequenos textos de 1000 caracteres bem directos ao assunto.
Desta experiência levo excelentes recordações da direcção, dos colegas jornalistas e dos leitores. Nunca me cortaram uma ideia, uma linha ou uma palavra. Sempre senti a maior liberdade de expressão e uma enorme compreensão por toda a equipa que me acompanhava e editava os textos.
Um novo desafio me lançaram agora e por isso abdico pois desta longa relação de amizade e de correr de pena.
Vi os projectos Diário e Semanário evoluírem, crescerem e fundirem as direcções. Assisti à sua mudança de cor passando do papel branco para o rosa. Vi um jornal criar os suplementos especializados, os cadernos de referência anual e as entrevistas de profundidade. Vi a mudança de localização da redacção e nascer um jornal online. Vi uma estação de televisão especializada em informação económica nascer em Portugal. Vi um líder crescer e afirmar-se.
Sei que o Económico é hoje uma marca com responsabilidade e sei que assim irá continuar. Tem a responsabilidade de transmitir de modo completo, equitativo e claro a informação que recolhe. Sabem que podem contar comigo no acompanhamento da informação e na troca de opiniões e ideias. Apenas abandono a opinião, não porque a deixe de ter, mas porque a irei concentrar noutro meio.
Aos jornalistas do Económico continuo a agradecer o que com eles aprendi. Quantas vezes não me despertaram de uma letárgica ou académica abstracção para me provocarem, me desafiarem a pensar. Não sou de deixar desafios por aceitar. Vou a eles. E com os jornalistas fui bem longe. Para eles, em especial para os do Económico, continuarei de porta aberta que é como quem diz, telefone aberto.
Aos leitores do Económico o maior bem-haja pela paciência, benevolência e carinho com que me leram durante anos. Para os que agora se livram de mim sorrindo de prazer, deixo-lhes a ilusória sensação de vitória. Até um dia!
____
João Duque, Professor catedrático do ISEG
Comentários (19)
Publicidade
Acções do PSI 20




