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Francisco Ferreira da Silva

As profissões do passado, do presente e do futuro

17/08/12 09:40 | Francisco Ferreira da Silva 



O que queres ser quando fores grande? Esta é uma pergunta que se faz frequentemente aos miúdos. As respostas eram: médico, engenheiro, piloto.

Com o tempo, essas referências mudaram e hoje muitos rapazes dizem querer ser jogadores de futebol ou ‘chefs' de cozinha. Já para as raparigas ambicionam, preferencialmente, ser modelos ou actrizes. O facto de existirem engenheiros, arquitectos e professores no desemprego, aliado aos frequentes apelos televisivos, faz com que as preferências estejam a mudar.

Mas não são apenas as preferências que estão a mudar, as profissões que garantem um futuro a trabalhar são cada vez menos, embora todos saibamos que há profissões que vão continuar a ter futuro, como são os casos dos médicos, engenheiros, políticos, professores, líderes religiosos e soldados. Um futuro que, no entanto, tem de ser medido em função das necessidades de cada país, em cada momento. Países como o Japão fazem saber que precisam, ou vão precisar, de engenheiros, especificando se são mecânicos, civis ou electrotécnicos e, nalguns casos, até quantificam essas necessidades.

A indecisão em relação à escolha de uma carreira profissional é legítima. A mudança tem sido uma constante e muito acelerada nas últimas décadas, havendo muitas profissões que desapareceram, como foram os casos das costureiras, dactilógrafos, lavadeiras, apanhadoras de malhas, cerzideiras, ardinas, ferradores, carvoeiros, tanoeiros, latoeiros, limpa-chaminés e cobradores de autocarros e eléctricos. Outras há que estão à beira da extinção, como são os casos dos alfaiates, telefonistas, calceteiros, merceeiros e droguistas.

Mas também há profissões de futuro e é dessas que todos querem ouvir falar. Com a taxa de desemprego nos 15%, o que se pretende ouvir dizer é quais são os empregos garantidos. Ora, o futuro é algo que "a Deus pertence", como se costuma dizer, porque é possível intuí-lo, mas não garanti-lo. Ainda assim, é possível dizer, com um certo grau de certeza, que as profissões ligadas às Tecnologias da Informação vão continuar a ser muito necessárias, mas também outras ligadas ao Ambiente, à Saúde, à Energia, às Artes e ao Turismo, sem esquecer o entretenimento.

O trabalho que o Diário Económico hoje publica, dá conta das actividades e funções mais procuradas. Mas, o maior ensinamento que se pode colher dos últimos anos diz respeito à formação ao longo da vida e à valorização pessoal que todos devem ter presente. Por isso, é bom que os pais e educadores se preocupem mais em inculcar nos mais novos ideais de aprendizagem e formação, em vez de lhes mostrarem as vantagens monetárias de serem futebolistas ou modelos. O que o País precisa é de mais cientistas, que tão arredados têm andando dos sonhos das crianças. Só assim se poderá criar mais riqueza e só assim se criarão mais empregos, com mais futuro.


Francisco Ferreira da Silva, subdirector

 




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