Comunidade
As greves dos transportes voltam em força com os pilotos da TAP a juntarem-se à onda de paralisações programadas pela CP, pela Rodoviária de Lisboa e pelos médicos.
Cada um dos grupos grevistas apresenta motivos diferentes, mas têm um objectivo comum: obrigar o Governo a ceder às suas exigências.
Quem fica a perder é o País, quer nos serviços que não vão existir durante os períodos de paralisação, quer em termos de imagem externa de contestação laboral e de agitação social, com a consequente perda de turistas e de receitas. Para já, estas greves parecem merecer pouco apoio da sociedade civil, até porque é essa mesma sociedade civil quem mais sofre com as paralisações, algumas das quais se vão prolongar até Agosto. Mas os dirigentes das estruturas sindicais não mostram sinais de recuo e até, nalguns casos, dão indicações de quererem endurecer as suas posições.
Tudo numa altura em que Portugal se confronta com problemas nas contas públicas e a necessidade de cumprir a meta do défice de 4,5% fixado para este ano. E, como se isso não bastasse, a ‘troika', sinónimo de sacrifícios para
os portugueses, chegará de novo a Lisboa em Agosto. Ingredientes para que este seja um ‘Verão quente' para o Governo e para que a ‘rentrée' seja um período de grande actividade política, com os partidos a prepararem as eleições autárquicas do próximo ano. É, por isso, de esperar uma radicalização dos discursos da oposição e um acentuar das críticas às decisões do Executivo.
Ou seja, quando o País mais precisa de trabalho e de uma conjugação de esforços para a recuperação económica, o recrudescimento da onda de greves preconiza o regresso da política pura e dura.
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