A responsabilidade do “neo-liberalismo” pela crise económica é a última das grandes simplificações da maioria dos nossos analistas.
Claro que muitos deles não estão a escrever sobre a crise, mas sobre as suas obsessões ideológicas. Atacaram sempre o "neo-liberalismo" e agora aproveitam uma crise económica global para mostrar que tinham razão. A validade das suas posições ideológicas, e não a crise económica, é o que verdadeiramente os interessa. Quanto à suposta "morte" do "neo-liberalismo", ainda não entenderam que as grandes ideologias modernas não morrem facilmente. Se o fim da antiga União Soviética não acabou com o socialismo marxista, não será uma crise económica a terminar com o "neo-liberalismo". Enquanto existir capitalismo, haverá liberalismo.
Mais grave, os ataques ao "neo-liberalismo" não nos ajudam a entender as principais consequências da crise. A necessidade de melhor regulação e supervisão financeira, embora sendo importante, não constitui a solução para os grandes problemas económicos e sociais de Portugal e dos países europeus em geral. Com uma nova distribuição do poder económico global, conseguirão os governos europeus manter as regalias políticas, económicas e sociais dos seus cidadãos? Esta é a questão crucial.
No meio de muitas dúvidas, há algumas certezas. Estamos a assistir a uma transferência da produção de riqueza do ocidente para a Ásia. A competição económica global é mais exigente. Os cidadãos europeus estão habituados a um nível de justiça social superior ao do resto do mundo, o que torna a concorrência mais difícil. A maioria dos Estados europeus encontra-se altamente endividada. Num cenário de menor crescimento económico e de mais dívidas, até os maiores críticos do "neo-liberalismo" entendem que a intervenção do Estado deve ser criteriosa. Não é uma posição ideológica; é uma questão de sensatez e de necessidade.
Na Europa, em geral, espera-se o seguinte dos Estados: a preservação da liberdade, da ordem e da segurança; a educação dos cidadãos desde os 6 anos até à conclusão da universidade; a saúde dos cidadãos; a segurança social dos reformados; a ajuda aos desempregados; a construção de grandes obras públicas; a acção empresarial e financeira em sectores económicos vitais; políticas culturais; posse e gestão de meios de comunicação, e muitas outras actividades.
Pergunto a todos os críticos do "neo-liberalismo" se acham honestamente que num mundo mais competitivo, mais igual, onde o ocidente já não manda, será possível preservar todas aquelas funções? Se julgam que sim, digam como e deixam de atacar o "neo-liberalismo". Os portugueses, incluindo os liberais, ficarão extremamente agradecidos.
____
João Marques de Almeida, Professor universitário
Comentários (5)
Publicidade
Acções do PSI 20





Estamos prestes a procmar um novo carro , cansados do nosso velho amigo Toyota Pr via de 4 anos,rodado mas ainda mto bom.Estamos investindo um pc mais nesse novo carro que queremos,modelos em vista: BMW,Mercedes ML,VolvoXC60,Audi Q7 ou Audi Q6 J visitamos v rias concession rias e ainda n o decidimos por um modelo,pois vai depender mto do nosso dim dim dispon vel em Abril/2012.Qdo tivermos comprado,posto fotos aqui para os f s dos bons carros do mundo Desde j me alegro pela feliz possibilidade de termos um carro bacana assim.
(viene de arriba)Habre1 quien me tache de utf3pico, pero lo riceto es que no soy yo el que se ha tragado el cuento de la democracia, no soy yo el que cree que la guerra del mercado contra el estado puede ganarse en un parlamento, siguiendo las reglas del enemigo. No soy yo el que se niega a confiar en mi mismo y mis capacidades, para pasar a tener fe9 en poledticos para que hagan lo que yo tengo que hacer por mi mismo, porque es mi deber moral decir no y actuar en la medida de mis posibilidades ahora contra la injusticia, y no esperar a que cambien la ley, ayude1ndoles mientras tanto en sus fechoredas. Y no, definitivamente no soy yo el que se deja llevar por el cortoplacismo y la precipitacif3n, una sociedad libre requiere unos cimientos, que no pasan por partidos y elecciones.Tampoco estoy en contra de la organizacif3n ni nada parecido, salvo cuando usa medios coactivos como los partidos poledticos. No soy yo el que ingenuamente piensa en "la conquista del estado", a1Insensatos! a1Es
Pois é, por mais 'ismos' que se invente um dia todos chegam à mm conclusao... É preciso regular! E no final de contas nao é so o socialismo/comunismo que é utopico. Ja agora, existe algum tipo d capitalismo que nao seja selvagem? Andas a enganar quem ó zé!
Quando se fala de globalização parece que só se defende o livre comércio. Uma coisa é defender a globalização regulada, justa e com transições realistas e aceitáveis, outra bem diferente, é defender a "selva" mundial.
Não podemos, nem devemos ser parvos. Até porque "teólogos" do globalismo há para aí aos montes.
Com o devido respeito, parece que Milton Friedman não afirmou aos sete ventos que a regulação era a pior coisa que o estado poderia fazer. Não foi ele o "pai" do fim do estado e proclamou o fim dos impostos?
Não gostaria de ver a história branqueada!
Há aqui um malentendido!
As pessoas não estão contra o liberalismo ou a liberdade individual, estão sim contra os excessos cometidos pelos neoliberais - entenda-se , capitalismo selvagem, que há que regular adequadamente, deixando óbviamente que a liberdade indidual dê expressão à sua imaginação e criação de novos caminhos para a economia e tudo o resto. Esquece-se o autor que as novas tecnologias e as novas energias são um caminho que falta percorrer quase na totalidade.
Inteiramente de acordo.No entanto temos assistido a uma imagem do liberalismo ou do neoliberalismo , muito desgastante.É agora ou a partir de agora que vamos ver qual a capacidade desses liberalismos para se recomporem e continuarem para o futuro.Por outro lado , quanto ao Marx.Leninismo que está à espreita para atacar, se não for agora ou nos próximos 5 anos que tomam conta disto parece-me que ficam para museu.É que os liberalismos têm flexibilidade enquanto os M.L. são muito rígidos.