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À medida que se aproxima o dia das eleições gregas, vai aumentando na Europa o medo da vitória dos partidos de extrema-esquerda.
É que esses partidos, em particular o Syriza, têm dito que não querem sair do euro, mas também que a austeridade vai terminar e que a União Europeia, em particular a Alemanha, vão ser obrigadas a negociar a situação grega. Ora, os líderes da ‘troika' não querem negociar o que já foi negociado e devem fechar a torneira dos empréstimos à Grécia, deixando o país entregue ao destino que escolher e ao regresso ao dracma. O que falta saber é quais serão as consequências para a Europa e, sobretudo, para os países em dificuldades, como Portugal, de uma previsível saída da Grécia do euro. George Papandreou, o ex-primeiro-ministro que negociou com a ‘troika' a ajuda à Grécia, não tem dúvidas em afirmar que, se houver um sobressalto grande num outro país do euro, todo o esforço de Portugal para responder à crise pode ir por água abaixo. O nosso país vai pagar hoje nove mil milhões de euros de Obrigações do Tesouro lançadas em 2002, a que se juntam outros quase mil milhões de juros de outros empréstimos que vencem nesta data. Estamos a dar o exemplo de um povo que quer fazer face à adversidade e que, com sacrifícios e trabalho, está pronto a levantar de novo o esplendor de Portugal. Mas, a incógnita das eleições gregas, o nível de 7% que as taxas das obrigações espanholas a dez anos atingiram ontem e a preocupante trajectória da dívida de Itália, fazem antever momentos difíceis no futuro próximo. Tudo depende do que forem os resultados das eleições gregas deste domingo e a reacção dos mercados.
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