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As 7 melhores acções para investir no mercado europeu e americano

Os títulos com o rácio de avaliação mais atractivo estão nos sectores farmacêutico, financeiro e petrolífero.

As 7 melhores acções para investir no mercado europeu e americano

Depois das subidas alucinantes das bolsas mundiais desde o início de Março, a questão que se coloca é se as acções já estão a um nível considerado caro. A maior parte das casas de investimento acredita que não, que as bolsas continuam a transaccionar a preços atractivos. "As acções estão baratas, mas já não estão ultra-baratas", defendem os analistas do Société Générale (SG) num estudo que delineia a estratégia do banco para o último trimestre do ano.

Contextualizando. Desde Março, as bolsas registam a maior subida semestral das últimas sete décadas, impulsionadas pelas melhorias do cenário económico e das medidas tomadas pelas autoridades para estancarem os efeitos da crise. O índice mundial, calculado em dólares, escalou 60% desde 9 de Março. Agora o outro lado da história. Apesar desta valorização recorde, o MSCI World ainda teria de subir 44% para atingir o valor a que se cotava em Julho de 2007, data em que se acendeu o rastilho da crise financeira que iria fazer com que as bolsas mundiais chegassem a perder 57%. Estas descidas violentas colocaram as acções a preços de saldo ou "ultra-baratas", como defende a SG, o que possibilitou a recuperação dos últimos meses.

As subidas colocaram indicadores de avaliação como o PER (price/earnings ratio) a cotarem acima da média histórica. Este rácio estabelece uma relação entre o preço da acções e os lucros das cotadas. Quanto mais baixo, mais atractivo está determinado título. Mas este "caro" é uma aparência. Isto porque os mercados tendem a incorporar com meses de antecedência a situação das empresas. Passando do PER actual para o PER estimado para o próximo ano a conclusão é outra: as bolsas estão baratas. Como os analistas esperam uma forte recuperação nos lucros das empresas em 2010, devido ao regresso do crescimento económico, o indicador desce, nos principais mercados, abaixo da média histórica.

Para além disso, mesmo que este indicador atinja valores semelhantes ao nível médio, as acções continuarão atractivas. No caso das cotadas dos EUA, por exemplo, o Bank of America/Merrill Lynch (BofA), refere, numa análise recente, que "um PER em linha com a história parece justo dado o novo e mais favorável mix do S&P 500 e as baixas taxas de juro". Já a nível global, uma sondagem feita este mês pelo BofA junto de mais de 300 gestores de fundos espalhados pelo mundo, revelava que a maioria considera que as acções estavam subavaliadas. No caso das acções europeias, o BNP Paribas realçou, num estudo de 24 de Setembro, que, segundo os seus modelos de avaliação, estavam a negociar com um desconto de 26% à média dos último 100 anos.

 

Para onde olhar para além do PER
Mas para se avaliar se as acções estão ou não baratas pode-se recorrer a outros indicadores. Outra forma de aferir se as bolsas estão atractivas é relacionar as acções com classes de activos diferentes, como os títulos de dívida. Para o BNP Paribas, a resposta é que "aparentam estar atractivas face às obrigações. O ‘dividend yield' estimado para 2010 nos mercados europeus está agora acima das obrigações empresariais com classificação de AA. Quer isto dizer, que aos preços actuais, o investidor recebe mais rendimento com os dividendos distribuídos do que com os juros pagos pelas empresas em títulos de dívida. Segundo o banco francês, a Portugal Telecom é uma das acções a oferecer um dividendo maior aos juros pagos nas obrigações.

Medidas de avaliação há muitas, mas a história dos mercados não se circunscreve a estes indicadores. Outros factores, como o elevado nível de liquidez aplicado em activos menos arriscados que poderão ser transferidos para as bolsas, as baixas taxas de juro e a recuperação económica poderão sustentar os mercados. Por outro lado, os factores de risco prendem-se com a evolução do desemprego, do consumo e uma má gestão das autoridades nas estratégias de retirada dos pacotes de estímulo financeiro e económico.

 

As bolsas mais atractivas do mundo

1 - Espanha tem o PER mais baixo
O PER relaciona o preço actual das acções com os lucros que os analistas estimam que as cotadas tenham no próximo ano. Quanto mais baixo o valor, mais barato está determinado índice. Tendo em conta o PER estimado para 2010, das bolsas mais importantes do mundo, a que está mais barata é a espanhola, com um PER estimado de 11,50. Já o índice europeu Stoxx 600 fica-se nos 12,56, enquanto o S&P 500 cota nos 13,95. Portugal é dos índices mais caros, com um PER de 15,61.

2 - Milão é a mais barata face ao valor contabilístico
Outro indicador para aferir a avaliação das cotadas é o preço face ao valor contabilístico (PBV). Quanto mais baixo o rácio mais baratos estão os títulos. Quando o indicador está abaixo de 1 indica que determinada acção tem um valor de mercado inferior ao valor contabilístico. Segundo este rácio a bolsa mais barata é a de Milão, com um PBV de 1.10. As cotadas europeias cotam em 1,53 vezes o valor contabilístico e as norte-americanas a 2,16. O PSI 20 tem um PBV de 1,83.

3 - Bolsa de Tóquio com o melhor indicador de vendas
O ‘price to sales' (PS) mede a evolução da capitalização bolsista das cotadas com as receitas de vendas que a empresa tem. Pode calcular-se com as vendas dos últimos 12 meses, ou com as estimativas dos analistas para o próximo ano. Quanto menor o rácio, mais atractivo o título. De acordo com as previsões para 2010, a bolsa mais atractiva é a japonesa, com um rácio de 0,58. A Europa tem um PS de 0,90 e os EUA de 1,09. Já o índice de referência do mercado nacional situa-se em 1.

4 - Bolsa espanhola é a mais generosa
O ‘dividend yield' (DY) contempla o peso do dividendo por acção com a cotação. Quanto mais alto, mais generosa é determinada empresa. De acordo com as estimativas para os dividendos que as cotadas mundiais irão distribuir em 2010, a bolsa mais generosa é a espanhola, com um DY de 4,85%. Quer isto dizer que se estima que, em 2010, as cotadas espanholas distribuam um montante equivalente a 4,85% do seu valor actual em bolsa. O Stoxx 600 tem um DY de 3,78% e o S&P 500 de 2,17%. Para o PSI 20 o DY estimado é de 3,86%.

5 - As melhores regiões para os analistas
As casas de investimento não são consensuais em relação às melhores bolsas para investir. A JP Morgan referiu num estudo de 30 de Setembro que prefere as bolsas europeias às dos EUA, considerando que no Velho Continente as acções estão mais baratas e que as cotadas europeias estão mais expostas ao crescimento global. A bolsa alemã é a preferida pela JP Morgan. Já o Barclays Capital prefere as acções americanas às europeias, justificando a posição com a perspectiva de que os lucros das cotadas dos EUA sejam mais surpreendentes.